Gravado “cara a cara” e quase sem edição, Bossa Sempre Nova une Luísa Sonza, Roberto Menescal e Toquinho em 14 faixas para abrir 2026.
O namoro que inspirou “Chico” pode ter ficado no passado, mas a canção lançada em 2023 — que chegou ao número um no Brasil — acendeu uma ponte direta com a bossa nova. Essa conexão vira disco agora: “Bossa Sempre Nova” apresenta 14 músicas gravadas por Luísa ao lado de dois pilares do gênero, Roberto Menescal e Toquinho.
Um encontro raro entre gerações
Menescal, guitarrista e violonista, é coprodutor de oito faixas. Ele também participa com voz em “Você” e assina, com Luísa, a primeira parceria inédita dos dois, “Um pouco de mim”. Já Toquinho, violonista e “último parceiro de Vinicius de Moraes”, coproduz as outras seis gravações, incluindo duas canções de seus sucessos com o Poetinha.
Gravado em 2025 de forma orgânica, com cantora e instrumentistas frente a frente em estúdio, o álbum foi captado quase sem cortes e edições. O resultado, segundo o conceito do projeto, é cristalino: o frescor da bossa nova aparece com naturalidade no timbre já conhecido de Luísa, agora mais direto e leve, como o estilo consagrado por João Gilberto pede.
Repertório: clássicos e “pérolas” menos óbvias
Com exceção da inédita “Um pouco de mim” (Sonza e Menescal), o repertório foi selecionado por Luísa e alterna clássicos e faixas menos rodadas, tratadas como joias do cancioneiro que colocou a música brasileira no mundo.
Entre as escolhas, entram quatro composições da parceria Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli: “O barquinho”, “Você”, “Ah, seu eu pudesse” e “Nós e o mar”.
Outra gravação que chama atenção pelo formato enxuto é “Diz que fui por aí”, samba de Zé Keti e Hortêncio Rocha registrado por Nara Leão em 1964. Aqui, a faixa aparece “apenas” (com todas as aspas) com o violão de Menescal e a voz de Luísa.
A intenção inicial de evitar os grandes hinos não resistiu à química em estúdio. Assim, entraram a solar “Samba de verão” (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle) e a soturna “Triste” (Tom Jobim), esta ligada ao universo de “Elis e Tom”, álbum que Luísa aponta como seu favorito.
Como o disco nasceu
Luísa conta que, por volta de 2022, virou uma “rata da bossa”. O mergulho incluiu garimpo de vinis — até em loja especializada no Japão — e convivência doméstica com Menescal e Jobim, nomes de dois de seus seis gatos, além de quatro cachorros.
O Menescal “humano” foi o grande incentivador. Em um encontro no camarim após um show de Paula Toller, ele disse o quanto tinha gostado de “Chico” e sugeriu que a cantora avançasse mais fundo nessa praia. A ideia inicial de Luísa e do produtor Douglas Moda era registrar uma “We4 sessions live” com Menescal, mas o projeto cresceu e virou um álbum completo — reforçado pela entrada de Toquinho.
Depois das sessões no Rio com Menescal (guitarra, violão e voz em “Você”) e grupo (baixo, bateria, piano/teclados e eventuais sopros), a produção foi finalizada em São Paulo, base de Luísa e Moda.
“Um pouco de mim” nasceu antes do disco: foi escrita por Luísa durante uma temporada em Los Angeles e estava separada para “LS4”. Por sugestão de Douglas Moda, a cantora enviou um áudio a capella para Menescal, que acrescentou violão, trabalhou a harmonia e ajustou o formato.
Toquinho eleva o “sarrafo”
Com o convite aceito, Toquinho passou a desenhar suas faixas e, ao ouvir o que já estava gravado com Menescal, sentiu o sarrafo alto. Pediu mais tempo para rearranjar e manter o padrão nas seis músicas, alternando formações de voz e violão e gravações com grupo.
No primeiro encontro para encontrar o tom de Luísa, Toquinho escolheu “Águas de março”. A partir dali, ficou claro para ela e Douglas Moda que outro clássico absoluto de Jobim — também associado a “Elis e Tom” — não poderia ficar de fora.
A dupla de voz de Luísa e violão (e voz) de Toquinho brilha ainda em “Carta ao Tom 74” e “Tarde de Itapoã”, ambas da parceria de Toquinho com Vinicius de Moraes.
Nas faixas com grupo, entram o afro-samba “Consolação” (Vinicius de Moraes e Baden Powell), “Onde anda você” (Vinicius e Hermano Silva, lançada em 1953) e, fechando o álbum, “Só tinha de ser com você” (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira). Esta última também aparece no repertório de “Elis & Tom” e tem uma conexão extra com Toquinho: em 1965, ano do lançamento por Jobim, ele havia gravado uma versão instrumental.
Gravado de forma orgânica em 2025, “Bossa Sempre Nova” aposta na simplicidade de estúdio para mostrar como a bossa segue atual.
Foto: Divulgação


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