“Fanfarra Pirata” já chegou às plataformas e abre a mixtape do BaianaSystem, que anuncia uma fase latina e caribenha até o Carnaval.
Depois de um 2025 de voltas pelo mundo, o BaianaSystem começa 2026 “fincando os pés” na América Latina e no Caribe. O novo single, “Fanfarra Pirata”, é o primeiro sinal dessa virada: uma faixa que liga a energia do verão ao fôlego longo do Carnaval, enquanto antecipa a próxima etapa de criação do grupo.
A música já está disponível em todas as plataformas digitais e funciona como porta de entrada para uma mixtape que, segundo a proposta, ganha o mundo no mês que vem. O formato não é aleatório: a ideia de mixtape conversa com a cultura do soundsystem, base histórica do BaianaSystem, mas aponta para um novo centro de gravidade sonoro.
Uma mixtape entre soundsystem e rua
Se o termo “mixtape” sugere o paredão e a lógica de circulação rápida de ideias, a palavra “fanfarra” puxa para outro lugar: a música coletiva das manifestações de rua. É a música do Carnaval tocada por quem faz o Carnaval — com sopros e metais como motores de presença, chamada e resposta, cortejo e encontro.
Na narrativa proposta pelo grupo, as fanfarras também carregam memória histórica. Sua difusão no Brasil e na América Latina se relaciona a processos de colonização, quando agentes do poder colonial usavam marchas e repertórios “disciplinadores” como representação de autoridade.
A partir das independências latino-americanas, essa mesma matriz sonora entra num processo de “antropofagia musical”: ritmos e marchas passam a se misturar aos sons dos povos originários do Caribe, dos Andes, das florestas e dos pampas, além das tradições percussivas de diversas etnias africanas presentes no continente. Nas manifestações populares — mesmo sob repressão constante — essa fusão abre uma nova “praia harmônica” no gosto popular e ajuda a preparar terreno para gêneros brasileiros e sul-americanos.
Independência, símbolos e o “Sol de Maio”
Por estarem ligadas aos processos de independência da América Latina e do Caribe, as fanfarras também evocam símbolos nacionais. Entre eles, o Sol de Maio, associado ao deus inca Apu Inti, presente nas bandeiras da Argentina e do Uruguai — e já conectado ao universo do BaianaSystem em “América do Sol”, terceiro e último ato de “OXEAXEEXU” (2021).
Essa relação aparece em exemplos como adaptações do hino nacional cubano executadas por bandas municipales e também nas festas de independência do Brasil na Bahia, onde fanfarras tocam no cortejo do Caboclo — referência direta a povos originários, mestiços e negros, apresentado como emblema nacional e como divindade.
Sopros e metais: a nova alma no BaianaSystem
“Fanfarra Pirata” posiciona a fanfarra como nova alma musical no universo do BaianaSystem. O grupo aponta para o DNA das bandas marciais e das orquestras do interior, enquanto adianta uma inserção mais profunda de sopros e metais, conectados aos fios condutores da guitarra baiana.
“Fanfarra é inspirada em musicistas com quem tivemos a honra de tocar, e é também uma justa homenagem às diversas instituições e grupos espalhados pelo país, que são escola e representam uma memória coletiva da música brasileira.”
Roberto Barreto, guitarrista do grupo, explica que a ideia também conversa com o sentido de “fanfare” como ornamento melódico — ou o trecho em que os metais viram protagonistas em uma cena, numa ópera ou num disco, como em “O Mundo Dá Voltas”. “Nas fanfarras brasileiras esse floreio é marcado pela percussão. Já aqui na Bahia, essa batida é afropercussiva, criando uma polivalência musical”, completa.
https://www.youtube.com/watch?v=UWtILZawQ-o
Foto: Divulgação

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