O Carnaval brasileiro tem raízes em festas romanas e gregas da Antiguidade. Entenda como uma celebração europeia se transformou na maior festa popular do país.
Celebrado sempre nos dias que antecedem a Quarta-Feira de Cinzas, o Carnaval está diretamente ligado ao calendário cristão e marca o período anterior aos 40 dias da Quaresma. A festa surgiu como um rito de passagem que antecede a Quaresma cristã, tornando-se uma espécie de “último suspiro” da carne e dos prazeres mundanos antes do recolhimento espiritual.
Das Saturnálias romanas ao calendário cristão
A origem do termo possivelmente vem do latim carnem levare, ou “retirar a carne”, reforçando o sentido simbólico da festa de despedida dos prazeres mundanos antes do período de jejum e penitência. Apesar de sua associação com o cristianismo, a festa tem raízes ainda mais antigas.
Antes de integrar o calendário religioso, práticas semelhantes já estavam presentes em celebrações da Antiguidade, como as Saturnálias romanas e os rituais dedicados a Dionísio na Grécia, marcados por comida, bebida e música.
Ao mesmo tempo em que tudo parecia “permitido”, a festa também reforçava os limites: acabava sempre com o início da Quaresma, como quem diz: agora é hora de se recolher Ana Paula Aguiar, autora de História do Sistema de Ensino pH
A historiadora explica como a Igreja optou por reorganizar, e não eliminar, essas tradições populares, integrando-as ao calendário cristão.
Do Entrudo português às escolas de samba
No Brasil, o Carnaval chegou durante o período colonial, trazido pelos portugueses por meio do Entrudo, uma prática popular que consistia em sujar e molhar as pessoas nas ruas. Embora fosse tolerado como uma válvula de escape em uma sociedade marcada por rigidez e desigualdade, o Entrudo também era alvo de repressão pelas autoridades, que o consideravam uma festa “grosseira” e tentavam proibi-lo a partir do século XIX.
Com o tempo, a celebração foi se transformando e ganhando características próprias. O surgimento dos bailes de máscara, dos blocos de rua e, posteriormente, das escolas de samba estruturou o Carnaval como manifestação cultural organizada. A partir do século XX, o samba assumiu o papel central, e a festa passou a dialogar com temas sociais, históricos e políticos, sem perder seu caráter popular.
Patrimônio cultural e diversidade brasileira
Hoje, as diferentes formas de celebrar o Carnaval pelo país refletem a diversidade cultural brasileira. Dos desfiles do Sudeste aos trios elétricos do Nordeste e às manifestações como o frevo e o maracatu, a festa se afirma como um patrimônio cultural, preservando memórias, saberes populares e formas de resistência que atravessam gerações.
Mais do que um momento de folia, o Carnaval brasileiro é uma expressão viva da história e da identidade nacional, que continua se reinventando a cada ano.
Foto: Wikimedia Commons

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