Jovens formados pela Orquestra Maré do Amanhã ingressam na UFRJ e são selecionados para a OSB Jovem, provando que talento floresce onde há oportunidade.
As conquistas chegaram juntas e falam por si. Maria Eduarda Paz (flauta) e Andressa Lelis (viola), formadas pela Orquestra Maré do Amanhã, acabam de ingressar na graduação em música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ao mesmo tempo, os alunos-fundadores Pither Bazaga (violino) e Vinícius Pereira (contrabaixo) foram selecionados para a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) Jovem, uma das iniciativas de formação orquestral mais relevantes do país.
O resultado confirma a maturidade de um projeto que nasceu dentro de uma das maiores comunidades do Brasil e hoje é referência internacional em educação musical e transformação social.
Uma resposta à violência
A história da Orquestra Maré do Amanhã começa com uma tragédia. Em 1999, o maestro Armando Prazeres foi sequestrado e assassinado no Rio de Janeiro. Seu filho, o jornalista Carlos Eduardo Prazeres, descobriu que o crime havia sido cometido por um morador do Complexo da Maré. Em vez de responder com revolta, ele escolheu transformar a dor.
“Quando meu pai foi assassinado, eu decidi que a violência não teria a palavra final. A música que ele tanto amava seria o caminho para transformar a realidade daquele território. Assim nasceu a Orquestra Maré do Amanhã, para mostrar que o talento pode florescer em qualquer lugar. Basta oportunidade, cuidado e afeto.” — Carlos Eduardo Prazeres, fundador e diretor da Orquestra Maré do Amanhã
Desde então, o projeto democratiza o acesso ao ensino de música no Complexo da Maré e já impactou diretamente mais de 17 mil crianças e jovens. Em 2023, foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Rio de Janeiro.
Núcleo formativo impulsiona carreiras
A seleção de Pither Bazaga e Vinícius Pereira para a OSB Jovem também reflete os resultados do núcleo formativo criado em 2025. Voltado para músicos acima de 25 anos que desejam seguir carreira profissional ou ingressar em cursos superiores, o programa oferece orientação de professores de universidades brasileiras e internacionais, além de aulas de inglês para ampliar oportunidades no exterior.
O impacto já ultrapassa as fronteiras do Rio de Janeiro. O violinista Melquisedeque Osborne, também formado na Maré, foi recentemente aceito na Orquestra Sinfônica de Dublin.
“Quando vemos alunos chegando à universidade ou sendo selecionados para orquestras profissionais, percebemos que o ciclo está se completando. A música abre caminhos reais de futuro. São histórias que mostram até onde esses jovens podem chegar quando encontram oportunidade.” — Carlos Eduardo Prazeres
Números que revelam o alcance social
Em 2025, a Orquestra beneficiou diretamente mais de 4 mil crianças e jovens, sendo 85% pretos e pardos. A faixa etária predominante é de 4 a 7 anos. Considerando o impacto sobre as famílias, o alcance indireto supera 12 mil pessoas em uma comunidade de cerca de 140 mil moradores.
As atividades somam mais de 3.100 horas de aula por ano, com formação em instrumentos de cordas e sopros, canto coral, teoria musical e prática orquestral. Os jovens músicos participam ainda de 80 concertos didáticos anuais em escolas públicas e se apresentam nos principais teatros do Rio de Janeiro.
Palcos do mundo, raízes na Maré
A trajetória da Orquestra inclui apresentações para o Papa Francisco no Vaticano em 2017 e 2024, o concerto no Réveillon de Copacabana ao lado de Anitta para 2,5 milhões de pessoas, participação no Rock in Rio 2019 no Palco Favela, e o desfile com a bateria da Beija-Flor de Nilópolis no Sambódromo em 2016.
Com atuação em 30 escolas públicas da Maré e uma sede própria inaugurada em 2018, o projeto mantém oito núcleos artísticos, entre eles a Camerata Jovem, eleita Melhor Orquestra do Brasil em 2019 e 2021 pelo Prêmio Profissionais da Música. Também mantém dois núcleos em Porto Trombetas, distrito de Oriximiná (PA), levando música para comunidades ribeirinhas e quilombolas.
A história do projeto foi contada no livro “Concerto para um sonho”, escrito pela jornalista Hérica Marmo e editado pela Máquina de Livros, e no documentário “Contramaré” (2018), dirigido por Daniel Marenco.
Serviço
- Orquestra Maré do Amanhã — Complexo da Maré, Rio de Janeiro (RJ)
- Núcleos em Porto Trombetas, distrito de Oriximiná (PA)
- Mais de 17 mil pessoas impactadas desde a fundação
- 44 empregos diretos gerados pelo projeto
- Patrocinadora master: Petrogal
- Apoiadores: Santander, State Grid Brazil Holding, Assim Saúde, Dasa, Ecoponte, Parnaíba Transmissora de Energia, Teles Pires Transmission, BMTE, Grupo Urbam e Prefeitura do Rio de Janeiro

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