Com contos inéditos de Nelson Rodrigues, “Diabólica vingança” estende temporada no Rio e aprofunda temas como desejo, trauma e violência.
O espetáculo Diabólica vingança ganhou fôlego extra no Rio de Janeiro. Inicialmente previsto para encerrar em 24 de maio, agora segue em cartaz até 31/05 no Futuros — Arte e Tecnologia, ampliando a chance de o público acompanhar a montagem que traz aos palcos dois contos inéditos de Nelson Rodrigues.
Dirigida por Renato Carrera, a peça reúne “A mão esquerda” e “Vingança” em uma encenação dividida em dois atos, mantendo os textos originais intactos. A proposta não suaviza o universo rodrigueano — pelo contrário, investiga com rigor as tensões entre amor e violência, explorando relações marcadas por obsessão, desejo e dor.
Do inédito ao essencial
A origem do espetáculo passa por um encontro inesperado. Durante uma oficina sobre personagens de Nelson Rodrigues, Carrera conheceu Crica Rodrigues, neta do autor, e perguntou sobre textos ainda desconhecidos. Foi assim que o conto “Vingança” chegou às suas mãos.
“Os dois contos têm em comum a vingança e como se chega ao limite por razões amorosas, e até que ponto você pode ir por amor ou o que a vingança pode provocar. Tudo isso é trabalhado através dos tipos e situações rodrigueanas sempre presentes em sua obra”, afirma o diretor.
No palco, Andreza Bittencourt, Dani Ornellas e o próprio Carrera conduzem narrativas que mergulham em zonas sombrias das relações humanas. A trilha sonora original de Adriano Sampaio e as projeções de Daniel de Jesus reforçam a atmosfera densa, em que afeto e violência se confundem.
Histórias que incomodam
Em “A mão esquerda”, o público acompanha Lauro, um homem consumido por um segredo físico que, ao encontrar o amor, se vê confrontado com o desprezo. A tensão cresce até um desfecho brutal, onde vergonha e desejo se transformam em vingança.
Já em “Vingança”, Dinorá vive um casamento sem afeto. À beira da morte, encontra uma última oportunidade de atingir o marido com uma revelação definitiva. O impacto não está apenas no gesto, mas no que ele revela sobre relações silenciosamente violentas.
Assim, a montagem atualiza Nelson Rodrigues sem alterar suas palavras, aproximando o público contemporâneo de temas ainda urgentes, como violência de gênero, relações abusivas e traumas afetivos.
Trajetória e contexto
“Diabólica vingança” marca a quinta incursão de Renato Carrera na obra de Nelson Rodrigues. O diretor já esteve envolvido em montagens como “Vestido de noiva”, premiado pela Questão de Crítica, além de “A serpente” e “A falecida”.
A peça é uma realização da Bruzun Company, em parceria com a Palavra Z Produções Culturais. A companhia, com mais de 15 anos de atuação, também esteve por trás de montagens como “Os Bruzundangas” e “Irmãs”, além de preparar um musical sobre Tereza de Benguela, previsto para 2027.
Para o Futuros — Arte e Tecnologia, a estreia reforça sua vocação como espaço de experimentação. “A peça permite refletir sobre a complexidade das relações humanas”, destaca Victor D’Almeida, gerente de cultura do Instituto Futuros.
Serviço
- Espetáculo: “Diabólica vingança”
- Temporada: 30 de abril a 31 de maio de 2026
- Horários: quinta a domingo, às 19h (sessão extra em 20/05)
- Local: Teatro Futuros – Arte e Tecnologia
- Endereço: Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo – Rio de Janeiro
- Telefone: (21) 3131-3060
- Ingressos: R$ 60 (inteira) | R$ 30 (meia-entrada)
- Vendas: https://bileto.sympla.com.br/event/118999
- Duração: 60 minutos
- Capacidade: 63 lugares
- Classificação indicativa: 12 anos
- Instagram: @bruzuncompany




