O CONASAMBA transforma a Fábrica do Samba, em São Paulo, no principal ponto de encontro do universo carnavalesco brasileiro — e, nesta edição, a presença da Academia Brasileira de Artes Carnavalescas (ABAC) amplia ainda mais o alcance cultural do evento ao levar o artesanato e a memória do Carnaval carioca para o centro das discussões.
Iniciado na quinta-feira (4), o Congresso Nacional do Samba chega à sua oitava edição consolidado como o maior encontro voltado ao desenvolvimento do samba e do Carnaval no país. Ao longo de quatro dias, a expectativa é reunir cerca de 3 mil participantes, entre gestores, pesquisadores, dirigentes, artistas e profissionais da economia criativa vindos de diversas regiões.
Um congresso que discute o futuro do samba
Com o tema “Por uma escola de samba de todos e todas, construindo pontes com o mundo”, o CONASAMBA se propõe a ir além da celebração da cultura carnavalesca. A programação coloca em pauta questões estruturais do setor, como gestão, inovação, sustentabilidade, formação profissional e políticas públicas.
Mais do que um evento, o congresso funciona como um espaço estratégico de articulação. As escolas de samba, historicamente reconhecidas por sua força cultural, também são destacadas como agentes sociais e econômicos capazes de gerar impacto em diferentes camadas da sociedade.
Realizado na Fábrica do Samba — o maior complexo de produção carnavalesca da América Latina e sede dos barracões das escolas do Grupo Especial paulistano — o evento ganha uma dimensão simbólica ao acontecer no coração da criação do espetáculo.
ABAC leva artesanato e formação ao centro do debate
Entre os destaques desta edição está a atuação da ABAC, instituição presidida por Milton Cunha, que vem se consolidando como uma das principais iniciativas voltadas à valorização do saber carnavalesco no Brasil.
No congresso, a entidade apresenta uma exposição com peças produzidas por artesãos do Carnaval carioca. A escolha não é apenas estética: ela reafirma a importância dos profissionais que atuam nos bastidores da festa, responsáveis por transformar ideias em elementos visuais que marcam os desfiles.
Além da exposição, a presença da ABAC reforça seu papel na formação e qualificação de profissionais do setor, uma de suas principais frentes de atuação desde a fundação.
Estar no CONASAMBA é uma oportunidade importante para apresentar o trabalho que a ABAC vem desenvolvendo desde a sua criação. O congresso se consolidou como um espaço fundamental para o fortalecimento do Carnaval, promovendo discussões sobre gestão, inovação e desenvolvimento do setor, além de valorizar os profissionais que fazem a festa acontecer. Nossa presença institucional reafirma esse compromisso
A declaração é de Célia Domingues, vice-presidente da instituição, que também coordenou a participação da ABAC no evento. Para o congresso, ela optou por levar uma coleção de souvenires inspirados no universo carnavalesco, ampliando o diálogo entre tradição e mercado.
Uma instituição voltada à memória e ao futuro
Fundada em 2024, a Academia Brasileira de Artes Carnavalescas nasceu com a missão de preservar, difundir e fortalecer a cultura do Carnaval brasileiro. Desde então, vem estruturando uma atuação que combina formação técnica, pesquisa e valorização histórica.
Entre suas iniciativas estão cursos, workshops e oficinas voltados ao aperfeiçoamento profissional, além de ações que buscam registrar e manter vivos os saberes que atravessam gerações dentro das escolas de samba.
A ABAC também integra o projeto Reviver Centro Cultural, ampliando sua atuação dentro de uma perspectiva de desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva do Carnaval.
Homenagens a nomes fundamentais do Carnaval
Outro eixo importante da atuação da ABAC é o reconhecimento de personalidades que ajudaram a construir a história do Carnaval brasileiro. A instituição reúne uma lista diversa de homenageados, refletindo a multiplicidade de funções e talentos que compõem o universo do samba.
Entre os nomes estão a carnavalesca Rosa Magalhães (in memoriam), presidente de honra da entidade, além de Maria Augusta, Teresa Cristina, Carlinhos de Jesus, Paulo Barros e Leandro Vieira.
A lista inclui ainda o mestre de bateria Mestre Ciça, a rainha de bateria Evelyn Bastos, os compositores Tiãozinho da Mocidade e Marquinhos de Oswaldo Cruz, os historiadores Luiz Antonio Simas e Helena Theodoro, a passista Nilce Fran e o jornalista Leonardo Bruno, entre outros.
Ao reunir esses nomes, a ABAC evidencia a complexidade e a riqueza do Carnaval, reconhecendo que sua construção passa por diferentes áreas — da criação artística à pesquisa histórica, da performance à comunicação.
Um encontro que conecta tradição e inovação
O CONASAMBA se consolida, mais uma vez, como um espaço de convergência entre tradição e inovação. Ao reunir diferentes agentes do setor, o congresso amplia as possibilidades de troca e fortalece a construção coletiva de caminhos para o futuro do samba.
A presença da ABAC, com sua proposta de unir memória, formação e valorização profissional, reforça essa dinâmica e aponta para um modelo de desenvolvimento que reconhece o passado, mas se projeta para novas oportunidades.
Em um cenário onde o Carnaval se afirma cada vez mais como potência cultural e econômica, iniciativas como essa ajudam a estruturar o setor e a ampliar seu impacto dentro e fora do país.
Serviço
- Evento: Congresso Nacional do Samba (CONASAMBA)
- Edição: 8ª
- Data de início: quinta-feira (4)
- Duração: quatro dias
- Local: Fábrica do Samba
- Cidade: São Paulo
- Público esperado: cerca de 3 mil participantes
- Tema: Por uma escola de samba de todos e todas, construindo pontes com o mundo





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