O monitoramento de tubarões na Baía da Ilha Grande, no litoral do Rio de Janeiro, entra em uma nova fase com apoio internacional. O Fundo de Conservação do SeaWorld anunciou parceria com o projeto EcoShark, iniciativa científica dedicada a estudar e preservar populações desses predadores marinhos em uma das regiões mais relevantes do país para a biodiversidade costeira.
A colaboração envolve investimento financeiro e intercâmbio técnico. Como parte dessa aproximação, a Dra. Gisele Montano — diretora de Sustentabilidade de Espécies do United Parks & Resorts, veterinária e especialista em reprodução de tubarões — participou de uma expedição de campo ao lado da equipe brasileira na última semana.
Ciência para preencher lacunas críticas
Segundo a Dra. Gisele Montano, o avanço de iniciativas como o EcoShark é essencial diante de um cenário global preocupante. As populações de tubarões vêm diminuindo em diversas regiões do mundo, pressionadas principalmente pela pesca excessiva, degradação ambiental e impactos humanos nos ecossistemas costeiros.
“As populações de tubarões em todo o mundo estão em declínio, principalmente devido à pesca excessiva, degradação de habitats e pressões humanas sobre ecossistemas costeiros”
No Brasil, o desafio ganha contornos ainda mais complexos devido à falta de monitoramento contínuo. “Ainda existem lacunas críticas de conhecimento sobre a saúde e o papel ecológico desses animais. A ausência de monitoramento contínuo limita a criação de estratégias eficazes de conservação e de políticas de manejo baseadas em ciência”, afirma a pesquisadora.
A especialista também destacou o valor do intercâmbio técnico com a equipe brasileira. “Faz parte do DNA do SeaWorld contribuir com projetos de conservação do mundo todo e eu, particularmente, fico muito honrada e feliz em fazer esse intercâmbio técnico com o EcoShark no meu País”.
O que investiga o projeto EcoShark
Em atividade desde 2021, o EcoShark desenvolve pesquisas de longo prazo sobre o comportamento e a saúde de tubarões na Baía da Ilha Grande. O projeto combina expedições de campo, coleta de material biológico e análises laboratoriais para compreender como esses animais interagem com o ambiente e respondem a pressões externas.
A iniciativa busca ir além da observação pontual, estruturando uma base científica sólida que permita acompanhar mudanças ao longo dos anos e orientar decisões estratégicas para a conservação marinha.
Principais frentes de atuação
- Criação de banco de dados sobre saúde, reprodução e contaminantes em tubarões.
- Identificação de fatores ecológicos e antrópicos que afetam as populações locais.
- Produção de subsídios técnicos para políticas públicas e manejo pesqueiro.
- Engajamento de comunidades pesqueiras em práticas sustentáveis.
Parceria amplia alcance científico
O EcoShark é coordenado pela professora Dra. Mariana Alonso, do Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Para a pesquisadora, o apoio internacional representa um salto importante na capacidade do projeto de gerar impacto real.
“A parceria com o Fundo de Conservação do SeaWorld é fundamental para ampliar o alcance de nossas pesquisas e garantir que os dados coletados se transformem em ações concretas de preservação”
Além do suporte financeiro, a troca de conhecimento técnico fortalece a qualidade das análises e contribui para a construção de estratégias mais eficazes de conservação, conectando ciência local a uma rede global de pesquisa.
Um fundo com atuação global
O apoio ao EcoShark integra a atuação do SeaWorld Conservation Fund, organização sem fins lucrativos criada em 2003. Desde então, o fundo já destinou mais de US$ 21 milhões para cerca de 1.600 projetos de conservação em todos os continentes.
A iniciativa financia ações voltadas à proteção de habitats, pesquisa científica, educação ambiental, além de resgate e reabilitação de animais. Mais de 100 espécies já foram beneficiadas diretamente pelos projetos apoiados.
O financiamento vem de diferentes fontes, incluindo contribuições da United Parks & Resorts, receitas dos parques e doações. Segundo a organização, todos os recursos arrecadados são direcionados integralmente às iniciativas apoiadas, com custos operacionais cobertos separadamente.
Serviço
- Projeto: EcoShark
- Local: Baía da Ilha Grande (RJ)
- Coordenação: Prof.ª Drª Mariana Alonso (UFRJ)
- Apoio: SeaWorld Conservation Fund

