Uma proposta que rompe com a lógica tradicional da cena e coloca o público no centro da experiência chega à Biblioteca Parque de Manguinhos. O espetáculo sensorial e inclusivo “O Outro Lado da História” convida crianças e adultos a mergulharem em uma narrativa guiada pela escuta e pelos sentidos, em sessões gratuitas nos dias 19 e 20 de junho.
De olhos vendados, todos os participantes — com ou sem deficiência visual — percorrem a história em igualdade de condições. A experiência, pensada para ampliar o acesso à arte, transforma a contação de histórias em um exercício coletivo de imaginação, presença e empatia.
Uma narrativa que se sente
Inspirado no livro “As Três Perguntas”, de Jon J. Muth, e na tradição filosófica que remonta ao conto de Leon Tolstói, o espetáculo propõe uma reflexão sobre três questões essenciais: qual é o melhor momento para agir, quem é a pessoa mais importante e o que é a coisa certa a fazer.
A construção da narrativa aposta em recursos sensoriais para conduzir o público. Sons, aromas, texturas e objetos táteis substituem o protagonismo da visão e ampliam as possibilidades de percepção. O resultado é uma experiência imersiva que transforma a escuta em elemento central da narrativa.
Com linguagem acessível e condução envolvente, o espetáculo valoriza a tradição oral ao mesmo tempo em que propõe uma participação ativa do público, criando um ambiente onde cada sensação contribui para a construção da história.
Acessibilidade como ponto de partida
Diferente de propostas que adaptam conteúdos já existentes, “O Outro Lado da História” nasce com a acessibilidade integrada desde a sua concepção. A equipe reúne artistas e uma consultora com deficiência visual, garantindo que cada detalhe da experiência seja pensado para incluir.
A idealizadora e supervisora artística Eliza Morenno destaca que a proposta vai além da inclusão: trata-se de provocar uma mudança de perspectiva no público. A vivência convida todos a experimentar outras formas de perceber o mundo, deslocando o olhar como sentido dominante.
É uma vivência inédita de acessibilidade cultural no Rio de Janeiro. É motivo de grande alegria trazer a contação de histórias neste formato, contemplando pessoas com deficiência visual e o público em geral em igualdade de condições
O projeto conta com o patrocínio do Governo do Estado do Rio de Janeiro e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, por meio do Edital Literatura do Rio ao RJ.
Uma fábula brasileira sobre o essencial
A história apresentada no espetáculo é uma adaptação brasileira criada por Eliza Morenno a partir do clássico atribuído a Tolstói. Ambientada em uma mata brasileira, a narrativa acompanha Chico, um menino inquieto em busca de respostas para perguntas fundamentais da existência.
Durante sua jornada, ele encontra personagens da fauna brasileira como a arara-azul, o mico-leão-dourado, o lobo-guará, a onça-pintada e o jabuti-piranga. Cada encontro contribui para a construção de um entendimento que não vem de teorias, mas da vivência e da atenção ao presente.
Com forte carga poética e sensorial, a narrativa conecta o público à natureza e à cultura brasileira, reforçando valores como empatia, cuidado e humanidade.
Trajetória e pesquisa artística
À frente do projeto, Eliza Morenno reúne experiência como artista e pesquisadora especializada em literatura infantojuvenil, com foco na acessibilidade. Nos últimos cinco anos, aprofundou práticas inclusivas voltadas à narrativa oral, investigando formas de tornar as histórias mais acessíveis a diferentes públicos.
Entre suas iniciativas, está a organização da maratona de contação de histórias na primeira Festa Literária do Instituto Benjamin Constant, reforçando sua atuação na interseção entre arte, literatura e inclusão.
Serviço
- Sessões: Dia 19 de junho, sexta-feira, às 10h, 11h, 13h e 14h
- Sessões: Dia 20 de junho, sábado, às 10h30 e 11h30
- Local: Biblioteca Parque de Manguinhos – Av. Dom Hélder Câmara, 1184 – Benfica, Rio de Janeiro – RJ
- Entrada: gratuita
- Rede social: https://www.instagram.com/versolivrecultura/




