Um mergulho profundo na obra de Chico Buarque chega às plataformas no dia 18 de junho com o lançamento de “Escafandristas cantam Buarque”, álbum de estreia do quarteto formado por Alice Passos, Luisa Lacerda, Renato Frazão e Thiago Amud. O projeto nasce de uma relação afetiva antiga com o repertório do compositor e se transforma agora em um trabalho que revisita 15 canções com novos arranjos, abordagens e encontros inéditos.
Lançado pela Biscoito Fino, o disco é resultado direto da trajetória recente do grupo, criado em 2024 para celebrar os 80 anos de Chico. Desde então, o quarteto construiu um percurso que rapidamente saiu do palco para o estúdio, impulsionado pela recepção calorosa do público e pela atenção do próprio homenageado.
Do palco ao estúdio
A história do álbum começa com a estreia do grupo, em outubro de 2024, quando os Escafandristas lotaram apresentações no Rio de Janeiro. A repercussão dessas primeiras apresentações ultrapassou o circuito de shows e chegou até Chico Buarque, que convidou o grupo para uma audição particular ao lado de sua família.
A partir desse encontro, o projeto ganhou novo impulso. A gravação no estúdio da Biscoito Fino consolidou o que já vinha sendo desenvolvido nos palcos: uma leitura cuidadosa, inventiva e profundamente respeitosa do cancioneiro de Chico.
Com direção musical de Thiago Amud, o quarteto encontrou no processo coletivo de criação a base para os arranjos. As ideias surgem em encontros entre os integrantes, passam por experimentações e ganham forma a partir de um equilíbrio entre colaboração e trabalho individual.
Repertório entre o conhecido e o redescoberto
A escolha das 15 canções partiu de um universo muito mais amplo. Segundo Alice Passos, o grupo iniciou o processo com cerca de 80 músicas, reduzidas gradualmente até chegar ao repertório final. O critério principal foi buscar equilíbrio entre sucessos consagrados e faixas menos conhecidas.
Essa combinação permite que o álbum funcione em duas direções: canções raras ganham destaque e força de clássico, enquanto músicas amplamente conhecidas surgem com novas nuances, quase como se fossem inéditas.
Para os integrantes, a relação com a obra de Chico Buarque é antiga e pessoal. As músicas fazem parte da formação musical de cada um desde a infância, o que se reflete na naturalidade das interpretações e na intimidade com o repertório.
Participações que ampliam o projeto
O caráter intimista do álbum não impede a presença de convidados especiais que ampliam a dimensão do trabalho. Em “Brejo da Cruz”, participa Giuliano Eriston. Já “O Que Será” ganha a voz de Ruy Guerra, parceiro histórico de Chico, que declama um poema de sua autoria.
Um dos momentos mais simbólicos do disco acontece em “A Volta do Malandro”, que conta com a participação do próprio Chico Buarque. A faixa reúne ainda um coro formado por Ana de Hollanda, filhas, netas e neto do compositor, criando um registro afetivo e coletivo.
Em “As minhas meninas”, a presença familiar se mantém com as participações de Cecília Buarque, Clara Buarque, Irene Buarque, Lia Buarque e Teresa Buarque, reforçando o vínculo entre o projeto e o universo pessoal do artista homenageado.
Uma abordagem livre da obra de Chico
Apesar de ser um tributo, o álbum não se propõe a recortar uma fase ou temática específica da carreira de Chico Buarque. A proposta é mais ampla: apresentar novas possibilidades sonoras para uma obra já consagrada.
Segundo Thiago Amud, o trabalho não se limita a categorias como “Chico político”, “Chico teatral” ou “Chico lírico”. A intenção é explorar diferentes dimensões das composições por meio de novas harmonias, ritmos e contrapontos, mantendo intacta a força original das canções.
O resultado é um álbum que não apenas revisita, mas reinterpreta o repertório, abrindo espaço para novas escutas e reafirmando a vitalidade da obra de Chico Buarque em diferentes gerações.
Ouça o álbum: https://orcd.co/escafandristascantambuarque


