O Parque Lage, um dos cenários mais emblemáticos do Rio de Janeiro, construiu ao longo das décadas uma relação consistente com o cinema, seja como locação de grandes produções ou como espaço de formação artística na EAV Parque Lage. No Dia do Cinema Brasileiro, celebrado em 19 de junho, essa conexão ganha destaque ao revisitar obras que atravessaram gerações e ajudaram a consolidar o local como referência cultural.
Mais do que um cartão-postal, o espaço se transformou em um ponto de encontro entre criação, ensino e produção audiovisual. A presença constante do cinema no Parque Lage revela não apenas sua estética singular, mas também sua relevância como equipamento cultural ativo na cena artística brasileira.
A formação audiovisual na EAV
A Escola de Artes Visuais do Parque Lage desempenha um papel central nessa trajetória. Reconhecida como uma das principais instituições de ensino artístico do Brasil e da América Latina, a escola investe continuamente na formação de novos talentos e públicos.
Atualmente, a EAV oferece cursos diretamente ligados ao universo do cinema, como “Realização Cinematográfica”, com Luiz Carlos Lacerda; “Videoarte: exercícios e experimentações”, com Louise Botkay; e “Laboratório e narrativas audiovisuais”, com Marilia Martins e Candida Monteiro.
A história da EAV com o Cinema é feita de muitos capítulos marcantes, com a participação de grandes personagens.
A diretora Tania Queiroz destaca que o objetivo é ampliar ainda mais essas oportunidades nos próximos semestres, reforçando o papel da escola como espaço de experimentação e aprendizado contínuo.
Em 2025, a instituição celebrou 50 anos com uma programação especial que incluiu o tradicional Cine Lage, projeto com curadoria de Luiz Carlos Lacerda que promove sessões gratuitas mensais voltadas ao cinema brasileiro.
Clássicos brasileiros no cenário do parque
A relação do Parque Lage com o cinema brasileiro remonta aos anos 1960, período marcado por intensa produção artística e engajamento político no audiovisual.
Em 1967, Glauber Rocha utilizou o espaço como locação para “Terra em Transe”, obra fundamental do Cinema Novo, movimento que marcou a história do país ao abordar questões sociais com linguagem inovadora.
No ano seguinte, foi a vez de “Macunaíma”, dirigido por Joaquim Pedro de Andrade, transformar o parque em cenário simbólico da cultura brasileira. A piscina e a banheira do palacete ganharam destaque em cenas que ficaram marcadas no imaginário do público.
O elenco reunia nomes como Paulo José, Dina Sfat, Jardel Filho, Milton Gonçalves e Grande Otelo, reforçando o peso da produção na história do cinema nacional.
Produções contemporâneas e diversidade de usos
Décadas depois, o Parque Lage continuou presente em produções relevantes. Em 2003, o documentário “Paulinho da Viola – Meu Tempo é Hoje”, dirigido por Izabel Jaguaribe, utilizou espaços como o terraço e o Salão Nobre do palacete.
Já em 2018, o filme “Minha vida em Marte”, com Mônica Martelli e o comediante Paulo Gustavo, trouxe uma das cenas mais lembradas do longa, ambientada ao redor da piscina.
Outro destaque é “Cleópatra” (2007), de Júlio Bressane, estrelado por Alessandra Negrini, que também utilizou o espaço em sua proposta estética voltada ao lirismo e à introspecção.
O Parque Lage no cinema internacional
A projeção do Parque Lage ultrapassa as fronteiras do Brasil. Em 2003, o local serviu de cenário para o clipe “Beautiful”, de Snoop Dogg e Pharrell Williams, marcando presença na cultura pop global.
O grupo The Black Eyed Peas também escolheu o espaço para gravar o clipe “Don’t Lie”, em 2009, reforçando o apelo visual do parque para produções internacionais.
No cinema, o destaque fica para “Os Mercenários” (2010), dirigido por Sylvester Stallone, que utilizou o palacete em uma cena de ação marcante. Já em 2022, o local apareceu em “Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore”, com participação da atriz brasileira Maria Fernanda Cândido.
Entre produções nacionais e internacionais, o Parque Lage segue consolidando sua posição como um dos cenários mais versáteis e simbólicos do audiovisual, conectando passado e presente em uma trajetória que continua em expansão.



