O MuCa 2026 coloca em evidência um tema que atravessa gerações: o papel das casas na construção da memória cultural brasileira. Nos dias 22 e 23 de junho, o 18º Encontro Brasileiro de Museus-Casas reúne especialistas de diferentes regiões do país para discutir como esses espaços preservam histórias, identidades e modos de vida que ajudam a compreender o Brasil.
Promovido pela Casa Museu Ema Klabin, anfitriã do encontro desde 2023, o evento será realizado integralmente online, com transmissão ao vivo pelo YouTube da instituição. A proposta amplia o alcance das discussões e reforça o caráter contemporâneo do debate sobre patrimônio cultural.
Casas como territórios de memória
Mais do que estruturas físicas, as casas carregam marcas do cotidiano, hábitos e experiências que atravessam o tempo. No contexto dos museus-casas, essa dimensão ganha ainda mais força, transformando residências em espaços vivos de interpretação histórica e cultural.
A reflexão proposta pelo encontro dialoga com o pensamento do arquiteto e teórico finlandês Juhani Pallasmaa, que entende o lar como uma construção complexa formada por memórias, desejos e rotinas. Essa visão amplia a compreensão sobre o valor das casas como patrimônios que ultrapassam a materialidade.
Ao trazer essa abordagem para o centro das discussões, o MuCa 2026 propõe uma leitura mais sensível e abrangente da preservação cultural, destacando o papel das experiências humanas na construção da memória coletiva.
Programação aborda desafios contemporâneos
Durante os dois dias de evento, a programação se organiza em palestras, debates e quatro mesas-redondas que exploram diferentes dimensões dos museus-casas. Os temas refletem tanto questões estruturais quanto desafios atuais enfrentados por essas instituições.
- Casas históricas e seus múltiplos usos
- Comunicação de museus-casas
- Comunidade e território
- Deslocamento e acolhimento
As mesas reúnem profissionais ligados a instituições como o Museu Mariano Procópio, o Museu Itamar Assumpção, a Casa 1 e o Museu das Remoções, além de representantes de iniciativas comunitárias e museus voltados à memória indígena e quilombola.
A diversidade de perspectivas reforça a ideia de que o campo dos museus-casas não se limita a residências históricas tradicionais, mas dialoga com diferentes formas de preservação e representação cultural.
Quase três décadas de mobilização
O encontro integra uma trajetória que começou ainda nos anos 1990. Antes mesmo da criação do Comitê Internacional de Museus Casas Históricas (DEMHIST), em 1997, o Brasil já promovia discussões sobre o tema por meio de seminários realizados pela Fundação Casa de Rui Barbosa entre 1995 e 2000.
Desde 2007, os Encontros Brasileiros de Museus-Casas ocorrem anualmente, consolidando uma rede de profissionais e instituições dedicadas à preservação e interpretação do patrimônio.
Hoje, próximo de completar três décadas, o movimento reforça o papel dessas instituições como espaços de pesquisa, conservação e diálogo com o presente. Mais do que guardar o passado, os museus-casas contribuem para refletir sobre questões contemporâneas e imaginar futuros possíveis.
Um patrimônio que vai além das instituições
De acordo com o Guia de Museus-Casas Históricas do Brasil, publicado em 2013 e organizado por Ana Cristina Carvalho, o país contava com cerca de 340 museus-casas distribuídos por todas as regiões. Ainda assim, o conceito de memória do habitar vai além desses espaços formalmente reconhecidos.
Casas históricas adaptadas para novos usos, museus comunitários, pontos de memória e iniciativas de museologia social também integram esse universo. São experiências que ampliam o entendimento sobre preservação e aproximam o patrimônio das comunidades.
Ao reunir essas diferentes perspectivas, o MuCa 2026 destaca a pluralidade de formas de contar histórias e preservar identidades, reforçando o papel das casas como espaços fundamentais para compreender a cultura brasileira.
A Casa Museu Ema Klabin
A Casa Museu Ema Klabin ocupa um lugar singular nesse cenário. A residência onde Ema Klabin viveu entre 1961 e 1994 permanece preservada como um dos poucos exemplos de casa de colecionador no Brasil aberta ao público.
Seu acervo reúne obras de artistas como Marc Chagall, Frans Post, Tarsila do Amaral e Candido Portinari, além de peças arqueológicas, artes decorativas e livros raros que atravessam 35 séculos de história.
Como fundação cultural sem fins lucrativos, a instituição atua na preservação, pesquisa e difusão desse patrimônio, promovendo exposições, cursos, apresentações artísticas e atividades educativas. O espaço também reflete a atuação de Ema Klabin no cenário cultural brasileiro, especialmente nas áreas de música e artes visuais.
O jardim, projetado por Roberto Burle Marx, e a decoração assinada por Terri Della Stufa completam a experiência de um espaço que integra arquitetura, arte e memória.
Serviço
- MuCa 2026 – 18º Encontro Brasileiro de Museus-Casas
- Tema: A memória das casas brasileiras
- Datas: 22 e 23 de junho de 2026
- Horário: das 14h às 18h
- Formato: online e gratuito
- Transmissão: Canal da Casa Museu Ema Klabin no YouTube (@CasaMuseuEmaKlabin)
- Mais informações: https://emaklabin.org.br/em-cartaz/muca-2026xviii-encontro-brasileiro-de-museus-casas?doing_wp_cron=1780424679.3553559780120849609375


