Depois de conquistar plateias com sessões esgotadas em São Paulo, o espetáculo Minha Estrela Dalva desembarca no Rio de Janeiro trazendo ao palco uma homenagem intensa e pessoal à cantora Dalva de Oliveira. A estreia acontece no dia 31 de julho, no Teatro Claro Mais, em Copacabana, marcando um encontro entre memória, música e história que atravessa gerações.
Escrito e estrelado por Renato Borghi, o musical nasce de uma relação afetiva iniciada ainda na infância do ator. A montagem não se propõe a ser uma biografia tradicional, mas sim um mergulho emocional no vínculo entre artista e musa — um diálogo que atravessa o tempo e ganha forma cênica com novas camadas.
Um encontro entre memória e palco
A origem do espetáculo está em uma lembrança marcante. Ainda criança, Borghi teve seu primeiro contato com a voz de Dalva ao ouvir um disco da trilha sonora de “A Branca de Neve”. A partir dali, construiu uma admiração profunda que culminaria, anos depois, em um encontro real com a cantora.
“Ali, na vitrola da infância, nasceria uma paixão avassaladora”, diz Renato Borghi.
Essa memória é o fio condutor da narrativa. Em cena, Borghi interpreta a si mesmo enquanto revisita diferentes momentos dessa relação — incluindo a fantasia de um encontro impossível com Dalva em seu auge artístico.
Soraya Ravenle dá voz à diva
Quem assume o papel central da cantora é Soraya Ravenle, atriz e cantora com longa trajetória no teatro musical brasileiro. Sua ligação com a obra é também histórica: ela integrou o coro de “A Estrela Dalva” em 1987, espetáculo anterior de Borghi que marcou época.
Agora, Ravenle retorna para ocupar o centro da narrativa, propondo uma interpretação que vai além da reprodução estética. Sua abordagem busca compreender a essência da artista — suas contradições, dores e força criativa.
“Não me interessa a cópia da casca, me interessa chegar perto da sua alma”, afirma Soraya Ravenle.
Com potência vocal e presença cênica, a atriz constrói uma Dalva que pulsa entre o mito e o humano, trazendo à tona a intensidade de uma artista que transformava sofrimento em expressão artística.
Dois tempos em cena
A encenação propõe um jogo de espelhos entre passado e presente. Elcio Nogueira Seixas, além de dirigir o espetáculo ao lado de Elias Andreato, interpreta o Renato Borghi jovem — um artista em formação que descobre na voz de Dalva uma referência estética e emocional.
Essa duplicidade amplia o caráter subjetivo da montagem, criando um diálogo entre diferentes fases da vida e diferentes formas de enxergar a arte. A proposta não é linear, mas sim construída como um fluxo de lembranças e sensações.
Completando o elenco, Ivan Vellame interpreta figuras importantes da vida da cantora, como Herivelto Martins, além de outros personagens que ajudam a contextualizar os conflitos pessoais e midiáticos da artista.
Uma Dalva além da biografia
O espetáculo se afasta da estrutura documental tradicional para construir o que define como um “delírio documentado”. A narrativa mistura elementos históricos com imaginação, criando uma experiência que valoriza a emoção e a subjetividade.
No centro dessa abordagem está uma Dalva complexa e indomável. A montagem destaca não apenas sua relevância musical, mas também sua trajetória marcada por enfrentamentos — especialmente em relação às pressões sociais e aos julgamentos públicos.
Ao longo da peça, episódios de sua vida são revisitados como reflexões contemporâneas sobre machismo, exposição midiática e autonomia feminina, estabelecendo um paralelo direto com o presente.
Estética e construção cênica
A montagem reúne uma equipe criativa que contribui para a construção de um universo visual e sonoro marcante. A direção musical de William Guedes conduz os arranjos que dialogam com a memória afetiva do repertório de Dalva.
O cenário de Márcia Moon, a iluminação de Wagner Pinto e os figurinos de Fábio Namatame ajudam a compor uma atmosfera que conecta o glamour das rádios dos anos 1950 com elementos do teatro épico.
Já a movimentação dos atores, sob direção de Roberto Alencar e Irupe Sarmiento, reforça o caráter sensorial da encenação, ampliando a experiência para além da narrativa verbal.
Teatro como declaração de amor
Para Renato Borghi, o espetáculo é mais do que uma homenagem: é uma declaração artística e pessoal. Ao revisitar sua própria história, ele propõe um gesto íntimo que transforma memória em linguagem cênica.
“Renato escreve uma declaração de amor à sua musa eterna”, destaca Elias Andreato.
O resultado é uma obra que transita entre o documental e o poético, convidando o público a experimentar não apenas a trajetória de Dalva de Oliveira, mas também o impacto duradouro de sua voz na cultura brasileira.
Serviço
- Espetáculo: Minha Estrela Dalva
- Temporada: de 31 de julho a 27 de setembro
- Local: Teatro Claro Mais | Rua Siqueira Campos, 143 – 2º piso. Copacabana
- Sessões: Quintas e sábados, às 20h. Sextas e domingos, às 17h
- Ingressos: uhuu.com e bilheteria do teatro
- Classificação etária: 14 anos
- Duração: 90 minutos

