A força das narrativas femininas atravessa continentes, épocas e conflitos no encontro que a Libretos Editora leva à 24ª Flip – Festa Literária Internacional de Paraty. Com duas obras inéditas, as autoras Maria Helena Weber e Hilda Simões Lopes apresentam histórias em que mulheres enfrentam limites impostos pela sociedade — seja em paixões intensas ou em cenários de guerra e opressão.
O destaque da participação acontece no painel “Mulheres em tempo de guerra e paixão”, no dia 23 de julho, às 15h30, reunindo as escritoras sob mediação de Clô Barcellos, diretora da editora. O encontro propõe um mergulho em personagens femininas que se movem entre extremos — da violência histórica às complexidades emocionais — revelando múltiplas camadas da experiência humana.
Amor, deslocamento e identidade em Entre marés
Em Entre marés (188 páginas, R$60), Maria Helena Weber constrói uma narrativa marcada por deslocamentos geográficos e afetivos. O romance acompanha um triângulo amoroso entre Matteo, Chiara e Caetana, personagens ligados por relações que atravessam décadas entre o Brasil e a Itália.
A história se desenvolve como um fluxo contínuo de encontros e desencontros, em que o tempo não é linear e os sentimentos se reconfiguram a cada nova experiência. A autora aposta em uma estrutura em camadas, na qual realidade e percepção se confundem, refletindo a instabilidade das relações humanas.
A escritora, tradutora e presidenta da Fundação José Saramago, Pilar del Río, destaca a construção sensível da obra:
Diz-se que as vidas humanas são o resultado da soma de dias e noites, uma simples operação matemática que descreveria o destino de uns e outros. Então surge Maria Helena Weber e rompe esse lugar-comum, narrando várias trajetórias a partir da única perspectiva que nos torna singulares: a sensibilidade para lidar com os sentimentos. A agilidade narrativa de Maria Helena Weber é mágica: ela traz e leva seus personagens com a precisão de uma maestrina ou de uma poeta, de tal forma que a literatura se instala na experiência de leitura com seu poder transformador, aquele que revitaliza e faz compreender. Mergulhar em Entre marés é prazer e aprendizado.
Com trajetória consolidada na literatura, Maria Helena Weber mantém o foco em histórias protagonizadas por mulheres, explorando subjetividades e tensões emocionais que dialogam com diferentes contextos sociais e culturais.
Guerra, resistência e protagonismo em Maya
Já em Maya (312 páginas, R$80), Hilda Simões Lopes mergulha no romance histórico para narrar a trajetória de uma adolescente escravizada que encontra apoio em mulheres combativas da antiga Província do Rio Grande.
Inspirado na história das vivandeiras — mulheres que atuavam nos bastidores dos conflitos —, o livro resgata figuras femininas que desafiaram estruturas de poder no século XIX. A obra reúne personagens de diferentes origens sociais, revelando a complexidade das relações em um período marcado pela escravidão e por profundas desigualdades.
A autora destaca a base histórica da narrativa:
Maya é ficção construída com mulheres e vivências verdadeiras, como as mestras pioneiras Maria Clemência Sampaio e Luciana de Abreu, e as abastadas senhoras Maria Josefa da Fontoura e Maria Eulália da Fontoura d’Agan e o Princípe Custódio, figura histórica e espiritual originária do Benin (África). A trajetória da protagonista é marcada por mulheres autênticas com as quais atravessará os difíceis e verídicos dramas do século oitocentista.
A potência da obra também é ressaltada pela Doutora em Letras Maria Eunice Moreira, que aponta a diversidade de vozes e experiências representadas na narrativa, conectadas por um fio comum de destino e resistência.
Encontro na Flip amplia debate sobre o feminino
No painel da Flip 2026, as autoras colocam em diálogo duas perspectivas distintas — uma centrada nas relações afetivas contemporâneas e outra enraizada em um contexto histórico de conflito —, mas ambas atravessadas pela mesma questão: a força do feminino diante de limites impostos.
O debate propõe refletir sobre personagens que vivem situações extremas, seja em guerras literais ou em relações intensas, revelando mulheres que não se definem por restrições, mas por suas escolhas, lutas e desejos.
Após a conversa, o público poderá participar de uma sessão de autógrafos com as autoras, ampliando a experiência para além do debate e aproximando leitores das obras e de seus processos criativos.
Trajetória da Libretos Editora
Com 25 anos de atuação, a Libretos Editora se consolidou como uma referência na área de memória e humanidades no Rio Grande do Sul. Fundada por Clô Barcellos e Rafael Guimaraens, a editora construiu um catálogo comprometido com a bibliodiversidade e com a valorização de narrativas plurais.
Ao longo de sua trajetória, recebeu reconhecimentos como o Destaque Açorianos, o Troféu Cultura Econômica e o Prêmio Trajetórias PMLL, além de ter obras finalistas e premiadas em importantes distinções literárias, como o Jabuti e o Prêmio Minuano.
Mais informações sobre o catálogo estão disponíveis em: https://www.libretos.com.br/ e nas redes sociais @libretoseditora
Serviço
- Evento: 24ª Flip – Festa Literária Internacional de Paraty
- Painel: Mulheres em tempo de guerra e paixão
- Data: 23 de julho
- Horário: 15h30
- Participantes: Maria Helena Weber e Hilda Simões Lopes
- Mediação: Clô Barcellos
- Atividade extra: Sessão de autógrafos após o painel




