Fertilidade, menopausa e saúde mental entram no centro das estratégias de benefícios, refletindo uma mudança estrutural na forma como empresas cuidam de seus colaboradores.
A lógica tradicional dos benefícios corporativos começa a perder espaço. Pressionadas pela disputa por talentos e pela demanda por ambientes mais saudáveis, empresas passam a adotar políticas mais personalizadas, alinhadas às diferentes fases da vida profissional e pessoal. Segundo a Health on Demand 2025, da Mercer Marsh Benefícios, 83% dos colaboradores esperam benefícios conectados às suas necessidades individuais.
Nesse cenário, temas antes periféricos ganham protagonismo: fertilidade, menopausa, saúde mental e apoio a cuidadores. A mudança não é apenas de portfólio, mas de mentalidade.
As empresas estão entendendo que as pessoas vivem diferentes fases ao longo da carreira e que cada uma delas traz desafios específicos.
A análise é de Gabriela Varisco, cofundadora da Nest Fertilidade, que observa uma ampliação do papel dos benefícios dentro das organizações. Para ela, o impacto desse movimento é duplo: melhora a experiência dos colaboradores e fortalece o vínculo com as empresas.
Quando o cuidado acompanha a jornada profissional
A atuação da Nest Fertilidade, fundada em 2024, se insere nesse contexto ao oferecer um benefício corporativo voltado à jornada reprodutiva. A proposta inclui suporte em planejamento familiar, preservação da fertilidade e reprodução assistida, conectando colaboradores a uma rede especializada de clínicas e profissionais.
O modelo também amplia o acesso à informação e ao acolhimento, atendendo diferentes configurações familiares, como casais LGBTQIA+, pessoas solteiras e pacientes oncológicos. A abordagem reflete uma demanda crescente por inclusão nas políticas corporativas.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçam a relevância do tema: uma em cada seis pessoas enfrenta infertilidade ao longo da vida. A estatística ajuda a explicar por que o tema começa a migrar para dentro das estratégias empresariais.
Menopausa, cuidadores e novas prioridades
A saúde da mulher também ganha espaço, com programas voltados à menopausa que incluem acompanhamento médico, apoio psicológico e ações educativas. Em mercados mais maduros, essas iniciativas já fazem parte das políticas de bem-estar e começam a chegar ao Brasil.
Outra frente envolve colaboradores responsáveis pelo cuidado de familiares. Empresas passam a oferecer jornadas flexíveis, orientação especializada e suporte emocional, facilitando a conciliação entre trabalho e responsabilidades pessoais.
O acolhimento em casos de perdas gestacionais ou neonatais também começa a ser considerado, ainda que de forma incipiente. Algumas organizações já adotam licença ampliada, acompanhamento psicológico e protocolos específicos para o retorno ao trabalho.
Saúde mental deixa de ser ação pontual
No campo da saúde mental, a tendência é a substituição de iniciativas isoladas por programas contínuos. Isso inclui prevenção, desenvolvimento de lideranças, educação emocional e acompanhamento psicológico estruturado.
Para Gabriela Varisco, o movimento aponta para uma mudança definitiva. Benefícios que antes eram vistos como diferenciais passam a integrar a estratégia central de gestão de pessoas, com foco em engajamento, inclusão e relações de longo prazo.
Mais informações: https://nestfertilidade.com.br/

