Com 65 mil pessoas e mais de 12 horas de música, o João Rock transformou Ribeirão Preto em um retrato vivo da diversidade sonora brasileira.
A 23ª edição do João Rock, realizada no Parque Permanente de Exposições, apresentou 34 atrações distribuídas em cinco palcos e guiadas pelo tema “O Brasil vive aqui”. A proposta se materializou na mistura de ritmos, regiões e gerações, com shows que cruzaram rock, rap, MPB, reggae e outras vertentes da música nacional.
“O João Rock é um festival de alegria, amizade e fervor.”
Uma das principais novidades foi a transformação do Palco João Rock, que passou a ser totalmente construído com painéis de LED. Foram 1.200 metros quadrados de telas de alta definição integrando iluminação e conteúdo visual às apresentações, ampliando a experiência do público.
Surpresas e encontros que marcaram a noite
O palco principal abriu com o tricampeonato de Levinsk na Batalha da Aldeia e seguiu com Lizium. Ao longo do dia, nomes como Chico Chico, Lagum, Detonautas, Zé Ramalho e Alceu Valença conduziram momentos de forte conexão com o público.
O Detonautas escolheu o festival para iniciar a turnê “Rádio Love Nacional”. Já o CPM 22 trouxe uma das participações mais comentadas ao dividir os vocais de “Dias Atrás” com Di Ferrero. Na mesma linha, a BaianaSystem incorporou BNegão e Vandal em uma apresentação marcada pela intensidade.
O encerramento ficou por conta do projeto Charlie Brown Jr. Acústico, que reuniu Negra Li, Marcelo Nova e ainda contou com a presença surpresa de Tico Santa Cruz.
Do Norte ao Sul no mesmo palco
No Palco Brasil, o conceito “De Norte a Sul” guiou apresentações que destacaram diferentes territórios culturais. Os Tucumanus e Victor Xamã trouxeram referências amazônicas, enquanto a Nação Zumbi reforçou o manguebeat pernambucano.
Armandinho manteve diálogo direto com o público, e Marcelo D2 promoveu um encontro entre rap e samba ao lado de Rael. O fechamento ficou com Raimundos, revisitando clássicos e material recente.
Gerações, vozes e novas narrativas
No Palco Aquarela, a diversidade de estilos apareceu com Urias, Rachel Reis e Luedji Luna, que explorou influências afro-brasileiras, jazz e R&B. Marina Sena celebrou sua terceira participação no festival, enquanto Ana Carolina percorreu 25 anos de carreira no show de encerramento.
Voltado à cena contemporânea, o Palco Fortalecendo a Cena reuniu artistas em ascensão e nomes já consolidados. Yago Oproprio recebeu Rô Rosa, FBC retornou com show próprio e Djonga relembrou sua participação anterior. Criolo encerrou com uma declaração que sintetiza o espírito do palco: aprender com a nova geração.
Novos nomes também ganharam espaço
O espaço Eisen Rock Station destacou novos talentos do rock, com Rancore como headliner e apresentações de Dupoint, Drenna, Alexia, Giovanna Moraes e Jambu.
Realizado desde 2002, o João Rock consolida sua trajetória como um dos principais festivais do país ao reunir diferentes vertentes da música brasileira em um mesmo ambiente, promovendo encontros que dificilmente se repetem fora dali.


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