O design modernista brasileiro atravessa continentes e passa a ocupar espaço permanente no mercado chinês, com obras históricas agora acessíveis ao público e a colecionadores locais.
A ETEL avança em sua internacionalização ao firmar uma parceria exclusiva com a GALLERY101, em Xangai. A marca brasileira passa a contar com uma revenda oficial no país, instalada em um edifício histórico dos anos 1930, conhecido como “Primeiro Apartamento do Extremo Oriente”. O espaço, com 400 m² e curadoria do Grupo 101+, reúne exposições, mostras temporárias e áreas dedicadas ao design de alto padrão.
O movimento coloca no radar asiático peças reeditadas de nomes centrais do modernismo brasileiro, como Lina Bo Bardi, Oscar Niemeyer, Jorge Zalszupin, Percival Lafer e Joaquim Tenório. Pela primeira vez, essas obras passam a ser comercializadas na região com certificação oficial, incluindo selo numerado e chancela de instituições como o Instituto Bardi.
Levar o design modernista brasileiro para a Ásia é mais do que uma expansão comercial; é um ato de diplomacia cultural
Quando mobiliário vira ponte cultural
A chegada à China responde a uma demanda crescente por peças com autenticidade e alto rigor de fabricação. O mobiliário modernista brasileiro, marcado pelo uso expressivo de madeira e soluções construtivas sofisticadas, passa a integrar projetos residenciais e corporativos no Oriente.
Esse movimento ganha força com a participação da marca na exposição “A Poética da Sobrevivência”, em cartaz na Power Station of Art. A mostra é a primeira dedicada a uma arquiteta pela instituição e integra o Ano Cultural Brasil-China 2026, que celebra cinco décadas de relações diplomáticas entre os países.
Peças raras que atravessam gerações
Entre os destaques estão três criações de Lina Bo Bardi reeditadas pela ETEL em 2015: a Poltrona Bola de Latão, com apenas seis exemplares originais existentes; a Cadeira Auditório MASP, concebida para a antiga sede do museu; e a Poltrona Três Pés. As peças sintetizam a abordagem da arquiteta, que combinava rigor técnico com referências da cultura popular brasileira.
A curadoria da exposição é assinada pelo historiador Renato Anneli, e a programação inclui um encontro conduzido por Lissa Carmona, voltado a arquitetos, colecionadores e jornalistas locais. A apresentação aborda o impacto global da obra de Lina e os processos de preservação que permitem sua continuidade no mercado contemporâneo.
Do resgate histórico ao mercado global
Mais do que expansão comercial, a iniciativa reforça o papel da ETEL como guardiã de acervos do século XX. A marca trabalha na recuperação de desenhos originais, muitos antes restritos a coleções privadas, reeditando-os com técnicas artesanais e madeira de origem certificada.
Com a entrada na China, a ETEL passa a atuar em seu 14º país, ao lado de parceiros internacionais como Avenue Road, Espasso, The Invisible Collection, Krassky, Bombyx, Collectional, Obumex, Studio Souis, Mama Casa e Inout. O avanço consolida o design brasileiro como ativo cultural de alcance global.

