Em “Tudo Que Eu Tenho”, Teresa Cristina abandona o lugar de grande intérprete para se afirmar como compositora em um álbum 100% autoral, atravessado por questões pessoais, espirituais e políticas.
Quase três décadas depois de iniciar sua trajetória no samba, Teresa Cristina decide mudar de posição no jogo. Com o lançamento de “Tudo Que Eu Tenho”, contemplado pelo edital Natura Musical, ela registra pela primeira vez um álbum de repertório integralmente autoral e inédito. O trabalho, distribuído pela Altafonte, chega aos aplicativos de música em 14 de agosto como síntese de um processo longo, alimentado pela observação da própria vida e pelas transformações do país.
Assinado na produção musical e nos arranjos por Pretinho da Serrinha, o disco é construído em parceria com um time extenso de músicos e compositores. Ao lado de Teresa aparecem nomes como Marisa Monte, Xande de Pilares, Moacyr Luz, Cézar Mendes, Mosquito, Bruno Barreto e Mingo Silva, entre outros. A faixa-título, escolhida como música de trabalho, concentra o eixo conceitual da obra: uma canção de forte cunho político e existencial, nascida de um olhar inquieto sobre as fraturas sociais do Brasil.
“Essa música veio na minha cabeça em muitas madrugadas que passei em branco, preocupada com o Brasil”.
Teresa lembra que “Tudo Que Eu Tenho” surgiu em momentos de angústia diante da realidade brasileira, como uma espécie de relato íntimo dessa preocupação. A escolha de se colocar como autora, e não apenas como intérprete de grandes mestres, muda também a forma como ela se vê em cena. O gesto tem peso simbólico e emocional, porque expõe um outro lugar de vulnerabilidade.
A artista descreve o impacto dessa virada com franqueza: “Quando a gente lança um trabalho autoral, a impressão que eu tenho é que eu tô nua, exposta. É uma sensação realmente diferente, e o desafio é que a gente se mostra muito mais”. Essa exposição vem acompanhada de uma certeza sobre o que ela pretende dizer. “Todas as músicas passaram pelo meu olhar criativo, pelo meu olhar crítico. É o que eu tenho a dizer sobre mim, sobre o país que eu vivo, sobre a sociedade na qual tô inserida, sobre a minha realidade e condição de vida. Tá tudo ali”.
Ao sintetizar esse momento, Teresa fala com a convicção de quem se sente em um ponto de virada, mas sem necessidade de provar nada: o disco afirma uma artista que se assume inteira, com liberdade para transitar entre o papel de intérprete e o de compositora.
Produção com “sabor de rua” e “cheiro de terreiro”
Responsável pela produção musical e pelos arranjos, Pretinho da Serrinha pensou o álbum como um espaço onde a poesia e a interpretação de Teresa ocupassem o centro da cena. Amigo e colaborador de longa data, ele buscou uma sonoridade orgânica, sem exageros, com apelo tátil. Em suas palavras, “a preocupação foi fazer um disco com alma, com sabor de rua e cheiro de terreiro”.
No estúdio, Pretinho assume também o papel de guardião da essência da artista. Ele explica que produzir, nesse contexto, significa saber quando interferir e quando se afastar. Em vários momentos, a melhor decisão foi preservar a emoção da primeira intenção de Teresa ao compor e cantar. O objetivo era permitir que o público conhecesse a Teresa compositora sem perder a Teresa intérprete já reconhecida, reunindo essas duas dimensões em uma figura única: madura, corajosa e livre.
Para viabilizar esse som com “ritmo de jogo e alma de terreiro”, Pretinho convocou um time de instrumentistas de elite da música brasileira. A base rítmica e harmônica é formada por Marcelo Minions (violão de 6 cordas), Charles Bonfim (baixo), Juan Felipe (cavaquinho), Nélio Júnior (teclado) e Miguel Torres (bateria), somados à percussão de Flavinho Miúdo, Fábio Miudinho, Pedrinho da Serrinha e Jorge Quininho.
O álbum traz ainda participações de Dirceu Leite nos sopros, Rildo Hora na gaita de “Nostalgia”, além de Carlinhos 7 Cordas, Paulão 7 Cordas, Mestre Trambique (em memória), Kainã do Jeje e Negadeza em diferentes instrumentos de cordas e percussão. O coro reúne vozes expressivas como Jhusara, Jurema, Maryzelia, Nego Álvaro, Rachell Luz e Mariana Baltar, ampliando a dimensão coletiva da obra e conectando o disco a uma comunidade de músicos e cantores que orbitam o universo de Teresa.
Faixas inéditas e parcerias autorais
“Tudo Que Eu Tenho” abriga dez faixas, todas inéditas, que revelam diferentes faces da escrita de Teresa e de suas parcerias. A abertura se dá com “Notícia Boa”, composição em conjunto com Cézar Mendes. Em seguida vem a faixa-título, assinada apenas por Teresa, que concentra o eixo político e existencial do disco.
“Quando a Onda Passar” é parceria com Mosquito e Xande de Pilares, enquanto “Pode Acontecer” junta Teresa e Marisa Monte. O álbum inclui ainda “Nostalgia”, “Taturana” e “Meu Bloco” (com Raul Di Caprio), além de “Yabá”, feita com Moacyr Luz, “Bato Pa Ó”, em colaboração com Mingo Silva e Bruno Barreto, e “Canto Pra Ogum”, que encerra o repertório.
O projeto contempla não só o registro sonoro, mas também as letras das músicas, alinhadas ao gesto de tornar público esse universo autoral de Teresa, em que temas íntimos, religiosos, sociais e afetivos se cruzam.
Ficha técnica detalha a engrenagem do álbum
Na ficha técnica, o álbum “Tudo Que Eu Tenho” aparece com Teresa Cristina como intérprete e Pretinho da Serrinha à frente da produção musical e da arregimentação. A gravação foi realizada no Estúdio Cia dos Técnicos e no Estúdio do Pretinho da Serrinha, com engenharia de som de Igor Ferreira, Willian Luna e Daniel Negrão, e assistência de Enzo Vittorio Lieggio Menegazzi. A edição de voz ficou a cargo de Daniele Andrade.
A mixagem foi compartilhada entre Igor Ferreira e Gabriel Vasconcelos, enquanto a masterização levou a assinatura de Alexandre Rabaço. Nos arranjos, Pretinho responde por “Bato Pa Ó”, “Pode Acontecer”, “Taturana”, “Nostalgia”, “Meu Bloco” e “Canto Pra Ogum”. Itamar Assiere assina o arranjo de “Notícia Boa”, e Paulão 7 Cordas o de “Yabá”.
Entre os músicos, além dos já citados, aparecem Carlinhos 7 Cordas e Claudio Jorge nos violões, Alessandro Cardozo e Juan Felipe no cavaquinho, Jamil Joanes e Charles Bonfim (Charlinhos) no baixo, Camilo Mariano (em memória) e Miguel Torres na bateria, e Nelio Junior no teclado. Nos sopros, Dirceu Leite toca flauta, clarinete, piccolo, pife, clarone e sax tenor, enquanto Antonio Neves responde pelo trombone. A gaita é de Rildo Hora.
Os instrumentos de percussão são distribuídos entre Kainã do Jeje (atabaque, xequerê e efeitos), Negadeza (alfaia, xequerê, ganzá, gonguê e caixa), Mestre Trambique (em memória) no agogô, repique de anel e reco-reco, Nenê Brown no surdo, tamborim, pandeiro, ganzá, cuíca e tantã, e Pedrinho da Serrinha em repique de mão, pandeiro, tamborim, cuíca, agogô, reco-reco, repique de anel, triângulo e caixa. Fábio Miudinho toca pandeiro, Flavinho Miúdo, surdo, e Jorge Quininho, tantan.
O coro reúne Charles Bonfim (Charlinhos), Diogo 7 cordas, Jhusara, Jurema, Marcelo Minions, Mariana Baltar, Maryzelia, Nego Álvaro, Rachell Luz e Tom o Raro, compondo um painel vocal diverso. A realização do projeto é da Lavoura e Benguela Produções, com direção executiva de Raphael Sant’Ana e Rinoceronte Entretenimento, produção executiva de Dyogo Botelho, produção de base de Gabriela Haber e assistência de produção de Sulaika Ferreira.
Os créditos incluem ainda o trabalho de Nana Moraes nas fotos, Emílio Rangel no design, Miriam Roia e Vivien Drumond (Somar Comunicação) na assessoria de imprensa, Gabriela Dumont na comunicação, além da fonoaudióloga Tatiana Medeiros, da maquiadora Aline Zelenka e da motorista Maria dos Santos, compondo a rede que sustenta o lançamento.
Turnê nacional e parceria com Natura Musical
O lançamento de “Tudo Que Eu Tenho” também marca o início de uma nova turnê nacional de Teresa Cristina, na qual ela defenderá nos palcos um espetáculo formado exclusivamente por suas próprias melodias e histórias. Em setembro, o roteiro passa por Salvador, com apresentação no dia 19 no Largo da Tieta, segue para o Rio de Janeiro em 23 de setembro, no Teatro Riachuelo Rio, e termina esse primeiro ciclo em São Paulo, no dia 26 de setembro, na Casa Natura Musical.
Selecionado pelo edital Natura Musical, o projeto se insere em uma plataforma cultural que completa 20 anos de atuação dedicada à valorização da música brasileira. Desde 2005, o programa investiu mais de R$ 202 milhões no patrocínio de mais de 620 artistas e projetos em todo o país, promovendo experiências musicais que projetam a pluralidade da cultura brasileira.
“Apoiar este primeiro disco totalmente autoral é incentivar a liberdade criativa de uma artista que segue se reinventando e mostrando a grandeza da música brasileira”, afirma Julia Ceschin, head global de Brand Experience da Natura e Avon.
Ao longo de duas décadas, a plataforma impactou mais de 4 milhões de pessoas presencialmente, com cerca de 200 shows e 20 lançamentos por ano. Em parceria com festivais e espaços como a Casa Natura Musical, em São Paulo, a Casa Apoena, em Belém, e a Autêntica, em Belo Horizonte, o programa fomenta encontros que utilizam a música como veículo de bem-estar e conexão.
Nas redes, o público pode acompanhar a continuidade dessas ações e os próximos capítulos de “Tudo Que Eu Tenho” pelos perfis da plataforma, incluindo o @naturamusical, onde são divulgados novos projetos, shows e lançamentos ligados ao edital e à cena contemporânea da música brasileira.
Serviço
- Álbum: Tudo Que Eu Tenho
- Artista: Teresa Cristina
- Lançamento nas plataformas de música: 14 de agosto
- Distribuição: Altafonte
- Produção musical e arranjos: Pretinho da Serrinha
- Seleção: edital Natura Musical
- Turnê “Tudo Que Eu Tenho”: Salvador (19/09, Largo da Tieta); Rio de Janeiro (23/09, Teatro Riachuelo Rio); São Paulo (26/09, Casa Natura Musical).

