A trajetória das campanhas de imunização pública e os marcos científicos no combate a grandes epidemias históricas ganham as telas em documentário inédito.
Entre surtos de varíola, cólera e o impacto recente da COVID-19, o documentário A História das Vacinas percorre o avanço da ciência como resposta às crises sanitárias que transformaram sociedades. Produzido pela Lunart e viabilizado pelo Curta! com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), o longa tem direção assinada por Lia Araújo, Reinaldo Faccini e Vanessa de Araújo Souza.
As vacinas da COVID-19, a meu juízo, são a maior descoberta na área biomédica das últimas duas décadas. Se a gente considerar que uma vacina pode levar até dez anos para ser colocada em uso clínico, tivemos em menos de um ano mais de cem grupos pesquisando, sem burlar nenhuma etapa.
O depoimento da médica e pesquisadora da Fiocruz, Margareth Dalcolmo, integra a série de entrevistas da obra, que também ouve a diretora da Anistia Internacional Jurema Werneck e a enfermeira Mônica Calazans, primeira pessoa vacinada contra o coronavírus no país. Aliando material de arquivo a animações explicativas, a produção detalha processos históricos de imunização, incluindo a variolização, método ancestral que inoculava o vírus da varíola em indivíduos saudáveis para atenuar o contágio.
Memória científica, instituições e símbolos populares
A narrativa resgata o papel da ciência na estruturação da República, o trabalho de Oswaldo Cruz e episódios de tensão social como a Revolta da Vacina. O enredo acompanha também a fundação de centros de referência como o Instituto Butantan e a consolidação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), que hoje disponibiliza cerca de 20 imunobiológicos públicos em território nacional.
A criação de estratégias de engajamento popular e figuras marcantes do imaginário coletivo também é relembrada pela pesquisadora da Fiocruz Amazônia Michele El Kadri, que destaca o surgimento do personagem Zé Gotinha na década de 1980 como um divisor de águas para as políticas públicas de vacinação em massa.
Desafios contemporâneos e alcance nos territórios
A obra aborda o posicionamento do Brasil como referência internacional em estratégias de cobertura vacinal, contrapondo os avanços históricos à atuação recente de movimentos antivacina. A conscientização em comunidades tradicionais também ganha espaço no relato do ativista indígena Zé Mauro, que reforça a transformação da percepção sobre os imunizantes e a importância da proteção nos territórios yanomami.
Serviço
- Exibição na TV: Canal Curta! no dia temático Sextas de História & Sociedade, em 21 de agosto, às 22h30
- Streaming: CurtaOn – Clube de Documentários, Prime Video Channels (Amazon), Claro tv+ e CurtaOn.com.br

