A efervescência artística provocada pela SP/Arte Rotas movimenta o circuito paulistano com mostras que conectam desde a histórica arte ambiental até investigações sobre memória, território e cosmologias afro-brasileiras.
O impacto da feira extrapola os limites da ARCA e ativa espaços expositivos de peso pela capital paulista. Entre os destaques, a Casa Seva faz sua estreia no evento apostando em um encontro geracional centrado na matéria e na ecologia, aproximando a trajetória consagrada de Frans Krajcberg (1921–2017) da produção contemporânea das Irmãs Gelli no estande D08.
Krajcberg e as Irmãs Gelli compartilham um interesse pela matéria como elemento de transformação, investigando ciclos naturais e a ação humana.
Diálogos entre gerações e matéria em transformação
Conhecido internacionalmente pelo ativismo em defesa das florestas, Krajcberg marcou a história da arte ambiental ao recolher raízes e madeiras queimadas em áreas devastadas para transformá-las em denúncia plástica. Em diálogo direto com essa produção histórica, as Irmãs Gelli apresentam trabalhos recentes e peças inéditas feitas em cera vegetal e plástico reciclado, tensionando conceitos de desgaste, resíduo e permanência.
Na sede da galeria, a artista visual mineira Jeane Terra exibe a individual Invenção da Paisagem-Memória, parceria com a Janaina Torres Galeria. Sob curadoria de Heloísa Amaral Peixoto, a mostra reúne 12 obras — incluindo pinturas, videoinstalação e esculturas em vidro soprado — que dão corpo à pesquisa inédita Memória da Ecologia, voltada aos mecanismos de resiliência e regeneração da própria natureza.
Ancestralidade afro-brasileira e a poética do chão
Na Galeria Simões de Assis, Ayrson Heráclito apresenta a exposição individual Ojú-Inú, que conta com texto crítico de Hélio Menezes. O conceito iorubá, traduzido como “olho interno”, remete à percepção estética e espiritual descrita pelo historiador Rowland Abiodun. A mostra reúne cerca de 30 obras atravessadas por referências rituais, com destaque para as séries Juntó, Inventário, Black Atlantic e Espada de Ogum, além de uma sala de vídeo exclusiva. O artista também integra a 61ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza.
Já no Museu da Imagem e do Som (MIS), a artista Ana Leal inaugura Chão de Histórias pelo Programa Nova Fotografia. É sua primeira individual em uma instituição museológica nacional, apresentando o projeto de forma integral. A expografia, desenvolvida em colaboração com Sylvia Sanchez e com texto crítico de Éder Chiodetto, distribui 21 obras entre colagens, fotografias, intervenções textuais e a videoprojeção Aquilo que fica.
Serviço
Casa Seva na SP/Arte Rotas 2026
- Estande: D08
- Período de visitação: 26 a 30 de agosto de 2026
- Local: ARCA | Av. Manuel Bandeira, 360 – Vila Leopoldina, São Paulo/SP
- Horário de funcionamento: quarta, convidados; quinta e sexta, das 13h às 20h; sábado, das 12h às 20h; domingo, das 12h às 19h
- Ingressos: R$ 100 (inteira) | R$ 50 (meia-entrada)
Invenção da Paisagem-Memória (Jeane Terra)
- Parceria: Janaina Torres Galeria
- Entrada: Gratuita
- Período de visitação: até 26 de setembro de 2026
- Local: Casa Seva | Alameda Lorena, 1257, Vila Modernista, Casa 1, São Paulo/SP
- Horário de funcionamento: terça a sexta, das 11h às 18h; sábado, das 11h às 15h
Ojú-Inú (Ayrson Heráclito)
- Entrada: Gratuita
- Período de visitação: até 12 de setembro de 2026
- Local: Galeria Simões de Assis | Alameda Lorena, 2050 A – Jardins, São Paulo/SP
- Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 15h
Chão de Histórias (Ana Leal)
- Entrada: Gratuita
- Período de visitação: até 20 de setembro de 2026
- Local: Museu da Imagem e do Som | Av. Europa, nº 158, Jardim Europa, São Paulo/SP
- Horário de funcionamento: terças a sextas, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h



