A trajetória do Festival Psica alcançou um novo marco histórico com a concessão do título de Patrimônio Cultural e Imaterial de Belém, consolidando o projeto independente como pilar da valorização periférica e amazônica.
A entrega oficial do Certificado de Reconhecimento ocorreu durante uma sessão solene realizada no Hall da Câmara Municipal de Belém, em uma quarta-feira (26). A iniciativa partiu do mandato da vereadora Marinor Brito, autora da proposta que oficializou a homenagem após mais de uma década de atuação do evento na difusão da identidade nortista.
O reconhecimento do Psica como Patrimônio Cultural Imaterial de Belém aumenta a nossa responsabilidade. O festival sempre foi um espaço para mostrar o Brasil a partir do Norte, reunindo gerações, estilos e diferentes expressões culturais pela perspectiva amazônica.
As palavras de Gerson Dias, idealizador e diretor da iniciativa, resumem a amplitude alcançada pelo projeto, que agora opera de forma continuada por meio do Instituto Psica e de sua sede própria, a Casa Dourada.

Das feiras de periferia à projeção internacional
A raiz da iniciativa conecta-se diretamente à vivência dos fundadores. Gerson e seu irmão, o produtor cultural Jeft Dias, cresceram trabalhando com o pai na venda de CDs e DVDs na feira da Cidade Nova 4. O cotidiano periférico moldou a percepção sonora e artística que culminou na criação do festival e levou a dupla a figurar na PowerList 100 em 2023, lista que destaca personalidades negras lusófonas.
Para Jeft, o certificado celebra o trabalho coletivo de técnicos, produtores e artistas, além de abrir caminhos para novos investimentos e atenção pública para a produção artística local.
Mobilização econômica e compromisso socioambiental
O que começou no circuito underground expandiu-se em larga escala. Em sua edição de 2024, o evento reuniu mais de 100 mil pessoas ao longo de três noites, conectando a Cidade Velha ao Estádio Mangueirão. No campo econômico, a estrutura movimentou cerca de 800 empregos diretos e 2 mil indiretos em áreas como gastronomia, audiovisual, moda e design, alcançando aproximadamente R$ 380 mil em faturamento com as feiras internas.
A atuação social do projeto registrou a distribuição de 1.078 ingressos para pessoas trans, além de 280 atendimentos a pessoas com deficiência, acompanhados por 205 responsáveis e mais de 40 profissionais dedicados à acessibilidade. As ações ecológicas resultaram na coleta de 2.140 quilos de resíduos recicláveis, entrega de mais de 3.600 bituqueiras e introdução de opções gastronômicas com baixa emissão de carbono.
