A colisão histórica entre o avanço da ciência e o autoritarismo político-religioso retorna aos palcos em uma montagem que transporta os dilemas de Galileu Galilei para os reflexos das crises sanitárias contemporâneas.
O espetáculo GALILEU, adaptação da obra “A Vida de Galileu” do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, revisita a trajetória do físico e astrônomo italiano que desafiou dogmas ao aprofundar a teoria heliocêntrica de Copérnico. Com adaptação assinada por Carol Soares e direção de Alan Paes, a produção da Cia. Manga com Leite ocupa o palco do Espaço Parlapatões no dia 7 de outubro, estendendo sua temporada até o dia 28 de outubro com apresentações semanais às quartas-feiras.
Trabalhar Galileu que é um personagem dúbio e dialético é trabalhar com a essência humana que é igualmente dúbia e dialética.

Ciência contra o obscurantismo em tempos de peste
A trama foca no período em que Galileu construiu, em 1609, um telescópio de alcance inédito e passou a comprovar que a Terra orbitava o Sol, atraindo a vigilância e a censura da Inquisição e da Corte. Esse processo de ruptura epistêmica ocorreu em meio à devastação da peste bubônica em Florença, entre 1630 e 1633, marco temporal que a encenação utiliza para estabelecer analogias diretas com a recente pandemia de Covid-19 e o negacionismo moderno.
No palco, a montagem opta por uma estrutura enxuta diante da grandiosidade do texto épico original. Apenas três atores — Bela Fausferr, Carol Soares e Vinny Guimarães — se revezam em múltiplos papéis sem pausas de continuidade, explorando a dinamicidade das trocas cênicas e o peso dramático dos momentos de silêncio.

Estética minimalista e projeção visual
A cenografia concentra todas as ações em torno de uma mesa central multifuncional. Conforme a narrativa avança, os elementos acadêmicos do primeiro ato dão lugar gradativamente a uma composição ligada aos princípios do teatro pobre, amparada pelas soluções visuais desenhadas para a cena.
O suporte técnico preenche a ausência de um elenco numeroso por meio do desenho de luz de Jaque Nunes, com operação de Dayane Santoso, e das projeções mapeadas concebidas por Raquel Diógenes em parceria com Bela Fausferr. A plasticidade auxilia nas passagens temporais e marca os embates éticos travados entre a razão científica e a conveniência de sobrevivência do protagonista.

Serviço
- Temporada: De 7 de outubro a 28 de outubro de 2026
- Horário: Quartas-feiras, às 20h
- Local: Espaço Parlapatões
- Endereço: Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação, São Paulo – SP
- Ingressos: R$ 80 (inteira), R$ 40 (meia-entrada) e R$ 60 (ingresso solidário mediante entrega de 1 kg de alimento não perecível)
- Duração: 90 minutos
- Classificação indicativa: 10 anos
- Capacidade: 96 lugares


