Uma estrutura itinerante transforma um caminhão em clareira poética para resgatar a simbiose entre a música de Tom Jobim e os elementos vivos da natureza brasileira.
A relação visceral entre o maestro e a biodiversidade ganha corpo na exposição itinerante Jobim-açu, projeto com curadoria do jornalista Hugo Sukman e da cineasta Daniela Thomas, responsável também pela direção artística. O título da intervenção busca inspiração direta na canção Querelas do Brasil, composta por Aldir Blanc e Maurício Tapajós, na qual o sufixo tupi “açu”, que significa grande, reverencia o compositor como tradutor fundamental das águas, matas e aves do país.
O músico compreendeu cedo que a biodiversidade brasileira não era apenas cenário, mas linguagem. A exposição parte justamente dessa convicção, mostrando como rios, árvores, aves e estações do ano inspiraram sua produção artística e moldaram sua maneira de pensar o Brasil.

Refúgio vegetal suspenso sobre rodas
O impacto visual tem início na parte externa do veículo, envelopado com ilustração do arquiteto Danilo Zamboni. Ao ingressar na instalação, o visitante entra em contato com tecidos suspensos que exibem versos de canções, fotografias de época e recortes biográficos da trajetória do maestro. A ambientação propõe uma ruptura sensorial com a correria urbana, reproduzindo luminosidades, texturas e sons característicos do ecossistema florestal.
Na área externa ao redor do caminhão, o público encontra cinco estações temáticas distribuídas em 20 painéis com vasta documentação iconográfica e biográfica. Os módulos percorrem da infância de Tom Jobim à sua consagração internacional, oferecendo bancos de apoio para leitura pausada e contemplação.

Trilha sonora pensada para cada público
O desenho de som foi estruturado em duas seleções musicais distintas. Ao longo dos dias úteis, o ambiente privilegia faixas instrumentais e canções centradas na fauna e na flora, recebendo grupos escolares com foco em educação ambiental. Nos fins de semana, a programação sonora amplia o alcance ao incorporar marcos populares como Chega de Saudade e Se Todos Fossem Iguais a Você, dialogando com diferentes faixas etárias por meio de clássicos da bossa nova.
A iniciativa ainda engloba atividades educativas e oficinas voltadas a crianças e estudantes, articulando dinâmicas de literatura, ilustração e conscientização ecológica.

Serviço
- Exposição: Jobim-açu
- Local: Largo da Carioca, s/n, Centro
- Temporada: 16 a 20 de setembro
- Horário: 10h às 17h
- Entrada: Gratuita
