Cerca de 60 mil pessoas e delegações de várias partes do país ocuparam a orla carioca para transformar a convivência inter-religiosa em um manifesto público de respeito e cidadania.
Diferentes credos, vestimentas e tradições se conectaram ao longo da Avenida Atlântica durante a 19ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa. O evento começou com um encontro matinal no Hotel Pestana, reunindo lideranças religiosas, autoridades e movimentos sociais para dialogar antes da concentração popular no Posto 5.
Para nós, povos de terreiro, ocupar esse espaço com nossa música, nossa cultura, nossa ancestralidade e nossa espiritualidade também é um ato de resistência, de dignidade e de liberdade.
O cortejo reuniu mais de 40 caravanas com participantes de cidades como Barra Mansa, Magé, São Gonçalo e da Região dos Lagos, além de fiéis de fora do estado. Foi o caso de Andréa Gomes, evangélica de Nova Iguaçu que esteve no ato pela primeira vez ao lado da filha e da neta, relatando entusiasmo com a troca pacífica entre as diferentes expressões de fé.

Mobilização une tradições internacionais e cortejo popular
A marcha seguiu em direção à Praça do Lido guiada por cerca de 26 grupos culturais, incluindo afoxés, blocos afros, manifestações de axé e Folias de Reis. A pluralidade também atravessou continentes: vinda do Japão, a Monja Oca, de 88 anos, liderou uma comitiva de 40 pessoas do Budismo Primordial, representando o Templo Budista de Itaguaí e a Catedral Budista de São Paulo.
O ato congregou católicos, candomblecistas, evangélicos, umbandistas, judeus, espíritas, muçulmanos, povos indígenas e pessoas sem religião, reafirmando a defesa do direito de professar crenças ou não seguir nenhuma. Criada em 2008 pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) e pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), a iniciativa nasceu em resposta a atos de violência contra religiões de matriz africana e já acumula 1,8 milhão de participantes em seu histórico.

Música de terreiro e celebração coletiva no encerramento
Conduzido pelas mestres de cerimônia Dandara Suburbana e Zilá Lima, o evento contou com a presença de lideranças como Frei Tatá, Padre Gegê, Mãe Márcia Marçal e Mãe Conceição de Lissá. Na reta final, a programação cultural ganhou o palco com apresentações da Bateria da Mangueira, Marquinhos de Oswaldo Cruz e o cantor Sandro Luiz, que viajou de São Paulo para marcar a presença e resistência dos povos de terreiro em espaço público.













Leia também
- Maior ato inter-religioso do país transforma orla de Copacabana em palco de cultura e resistência
- Ato inter-religioso reúne milhares em Copacabana por respeito e direitos
- Cantando a Gente Se Entende encerra Caminhada pela Liberdade Religiosa
- O Babalawô, o Papa e o Caminhar no horizonte de uma “Igreja em saída”
