Uma decisão histórica que não acontecia desde 1998 selou o destino musical do Império Serrano para o Carnaval 2027, unindo duas obras finalistas em um único samba-enredo assinado por Aluisio Machado, Chico César, Arlindinho e parceiros.
O veredito foi anunciado na manhã de domingo (27), durante a grande final da disputa realizada na quadra da agremiação, em Madureira. Ao optar pela fusão de duas parcerias concorrentes, a diretoria reuniu na mesma letra a tradição de Aluisio Machado, maior vencedor de sambas da história da escola, e a força poética da composição encabeçada por Arlindinho e Chico César.
Chama que o povo vem pra rua / Põe abaixo a ditadura / Nossa voz não vai calar
O encontro de diferentes gerações do samba e da música popular brasileira dará voz ao enredo “Seja marginal, seja herói: a revolução em sua legítima razão”, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Esteves. A proposta leva para a Marquês de Sapucaí um manifesto sobre a contracultura como instrumento de resistência à opressão durante a Ditadura Militar, criando diálogos diretos com as manifestações artísticas e culturais daquele período.

O encontro entre os 80 anos da Serrinha e a luta estudantil
Além de revisitar o legado estético do artista plástico Hélio Oiticica, uma das principais referências do projeto, o desfile carrega o peso de duas efemérides. A narrativa celebra os 90 anos de fundação da União Nacional dos Estudantes (UNE) e festeja os 80 anos de história do próprio Império Serrano.
Em busca do título da Série Ouro e do retorno ao Grupo Especial, a verde e branco será a sexta agremiação a pisar na Avenida na sexta-feira de Carnaval, no dia 6 de fevereiro. O time completo que assina a obra oficial reúne Aluisio Machado, Arlindinho, Chico César, Carlos Senna, Hamilton Fofão, Tinga, Nilson Rangel, Jorginho da Flor, Lico Monteiro, Thiago Bahiano, PC Feital, Fred Camacho, Tomás Miranda, Fabian Juarez, Lucas Marques e Bruno Rodrigo Jacoppet.

A letra oficial que vai embalar o desfile na Sapucaí
Chama que o povo vem pra rua / Põe abaixo a ditadura / Nossa voz não vai calar / Une, faz do fogo liberdade / Reacende a verdade / Que o ódio não apagará / E no lado esquerdo do meu peito, / A centelha, o anseio, a legítima razão
A luta me fez mais humano / É o Império Serrano seguindo a canção
Em todo José da Silva, existe revolução / Deve doer em você mais do que a censura / Saber que a contracultura / É o brado dessa nação
E mesmo, apesar de você, / Seguiu toda a MPB / Botando o bloco na rua “Deus e o Diabo” / Escritores e artistas / Estudantes, ativistas / Protagonistas desse enredo popular / Vesti a fantasia Alegria, alegria / Desce o morro a cantar / Eu sou Império! Em tempo de revolução / Império! Me fiz herói por opção / Pra construir, manifestar / Honrar a memória de quem não calou / Será que a liberdade já raiou
Ontem me pintaram de subversivo / Jovem desordeiro, até marginal / Hoje consagrado, me mantenho vivo / Na manifestação imperial

Serviço
- Desfile do Império Serrano: Carnaval 2027 (Série Ouro)
- Data: Sexta-feira de Carnaval, 6 de fevereiro (sexta escola a desfilar)
- Local: Marquês de Sapucaí
- Enredo: “Seja marginal, seja herói: a revolução em sua legítima razão”
Compositores: Aluisio Machado, Arlindinho, Chico Cesar, Carlos Senna, Hamilton Fofão, Tinga, Nilson Rangel, Jorginho da Flor, Lico Monteiro, Thiago Bahiano, PC Feital, Fred Camacho, Tomás Miranda, Fabian Juarez, Lucas Marques e Bruno Rodrigo Jacoppet.
Chama que o povo vem pra rua
Põe abaixo a ditadura
Nossa voz não vai calar Une, faz do fogo liberdade
Reacende a verdade
Que o ódio não apagará
E no lado esquerdo do meu peito,
A centelha, o anseio, a legítima razão
A luta me fez mais humano
É o Império Serrano seguindo a canção
Em todo José da Silva, existe revolução
Deve doer em você mais do que a censura
Saber que a contracultura
É o brado dessa nação
E mesmo, apesar de você,
Seguiu toda a MPB
Botando o bloco na rua “Deus e o Diabo”
Escritores e artistas
Estudantes, ativistas
Protagonistas desse enredo popular
Vesti a fantasia Alegria, alegria
Desce o morro a cantar
Eu sou Império! Em tempo de revolução
Império! Me fiz herói por opção
Pra construir, manifestar
Honrar a memória de quem não calou
Será que a liberdade já raiou
Ontem me pintaram de subversivo
Jovem desordeiro, até marginal
Hoje consagrado, me mantenho vivo
Na manifestação imperial
Foto: Regis Bastos
