A união entre o funk brasileiro e o pop latino transformou o gramado esportivo em um manifesto vibrante de ritmo, dança e representatividade internacional.
O gramado do Maracanã presenciou um encontro sonoro e estético que atravessou fronteiras no domingo (27). Pedro Sampaio e Ricky Martin comandaram o espetáculo musical do intervalo durante o primeiro confronto oficial da NFL realizado no Rio de Janeiro. A colaboração marcou a estreia de um artista masculino brasileiro no tradicional Halftime Show da liga em território nacional, combinando linguagens sonoras das periferias cariocas à magnitude das megaproduções do entretenimento global.
Estar no Maracanã, ao lado do Ricky Martin e com uma equipe tão diversa de bailarinos, foi uma forma de mostrar a força da nossa cultura para um público global. É uma celebração da nossa identidade, mas também da capacidade que a música e a dança têm de conectar pessoas de diferentes lugares.

Coreografia mundial e a força da cena nacional
A condução coreográfica ficou a cargo de Parris Goebel, coreógrafa neozelandesa reconhecida mundialmente por criar apresentações emblemáticas para estrelas do pop e pela concepção visual de palcos mundiais. O projeto representou a primeira colaboração de Goebel com um nome da música brasileira, integrando a dança pop internacional à cadência urbana carioca.
Para erguer o espetáculo, foram convocados mais de 50 bailarinos brasileiros, integrando profissionais que atuam nos balés de grandes nomes como Anitta, Luísa Sonza e Ludmilla. A maratona preparatória envolveu mais de 60 horas intensivas de ensaios e montagens inéditas pensadas para desenhar uma narrativa corporal contínua.
Visibilidade LGBTQIAPN+ e raízes periféricas
O encontro estabeleceu um marco relevante de representatividade ao reunir dois homens bissexuais em posição de destaque absoluto em uma transmissão esportiva de alcance mundial. As narrativas de vida e expressão dos cantores ocuparam o centro do gramado com naturalidade e potência artística.
Um dos pontos culminantes ocorreu na performance da faixa SEQUÊNCIA CUNT, conduzida por oito dançarinas representantes da cultura ballroom brasileira. Os passos característicos do estilo voguing, historicamente originados na comunidade LGBTQIAPN+, preencheram o espaço com estética de resistência e afirmação.

Do tamborzão à fusão de ritmos internacionais
A produção musical completa do show foi assinada pelo próprio DJ carioca, que estruturou a linha narrativa em torno das pulsações do funk. O repertório transitou do compasso tradicional do tamborzão em SEQUÊNCIA FEITICEIRA aos arranjos eletrônicos contemporâneos.
O porto-riquenho entoou o clássico Livin’ La Vida Loca, marco fundamental na projeção planetária da música latina no final dos anos 1990. Em seguida, a dupla executou a inédita parceria PIKITO PIKITO, mesclando nuances de pop, reggaeton, salsa, mambo e samba.
O intervalo trouxe ainda a participação especial das Dallas Cowboys Cheerleaders no arranjo rítmico da faixa JETSKI, trazendo elementos cênicos típicos do futebol americano tradicional. O encerramento celebrou as raízes do samba com a execução do hit CAVALINHO.
Disponibilidade do novo lançamento
A canção fruto da colaboração entre os dois cantores chegou aos serviços de streaming logo após o término da apresentação:
https://songwhip.com/ricky-martin/pikito-pikito
