A poética de referências centrais da literatura brasileira ganha uma chave de leitura inédita que cruza a gramática dos signos do zodíaco com a construção de grandes obras de ficção e poesia.
O ciclo gratuito Astrologia e Literatura: encontro de linguagens propõe um diálogo direto entre a simbologia milenar e as páginas de autores clássicos do país. A iniciativa, criada e conduzida pela escritora e historiadora Roberta Ferraz ao lado do curador e gestor cultural Jurandy Valença, ocupa o Centro Cultural FIESP integrando a série LiteraTUDO no Café.
A astrologia é a língua mais antiga que ainda falamos. É um sistema que tem seu alfabeto, sua gramática – os planetas, os signos, as casas, os decanatos, as triplicidades, os elementos.

Diálogos entre os signos e a estética literária
A relação entre os temas começou a tomar forma para Ferraz ainda em 1998, sob influência das aulas do intelectual Cid Marcus Vasques, que apresentava o zodíaco como expressão cultural viva em mitos e textos dramáticos. A prática de desenhar o mapa astral de cada escritor nas primeiras páginas de seus livros tornou-se rotina de estudo para a pesquisadora, formada em História e Letras com pós-graduações focadas em literatura.
Com trajetória que soma 18 anos de apresentações em espaços culturais da capital paulista, o projeto chega a esta edição voltado estritamente à produção nacional. Os encontros analisam polaridades astrológicas refletidas nos estilos literários, contrapondo duplas como Áries e Libra com Lygia Fagundes Telles e Mário de Andrade, além de Touro e Escorpião a partir da produção de Hilda Hilst e Carlos Drummond de Andrade.
Outros eixos da grade aproximam Gêmeos e Sagitário nas trajetórias de Ana Cristina Cesar e Clarice Lispector, Câncer e Capricórnio sob o prisma de João Guimarães Rosa e João Cabral de Melo Neto, além de Leão e Aquário nas páginas de Jorge Amado e Leonardo Fróes. O contraponto entre Virgem e Peixes articula as vozes de Paulo Leminski e Carolina Maria de Jesus, abrindo espaço também para diálogos com nomes da poesia contemporânea.
O zodíaco como matéria criativa
O cronograma reserva uma masterclass de encerramento focada em Caio Fernando Abreu, marcando a passagem de três décadas de sua morte. O autor gaúcho incorporava o saber astrológico de maneira consciente em seus processos de criação textual, a exemplo do livro Triângulo das Águas, premiado com o Jabuti na década de 1980.
Diferente da leitura analítica aplicada aos outros nomes da programação, a sessão final examina a astrologia como ferramenta estruturante da própria narrativa ficcional de Caio, demonstrando como símbolos ancestrais continuam operando na invenção artística contemporânea.
Serviço
- Ciclo: LiteraTUDO no Café – Encontros de Astrologia & Literatura Brasileira
- Local: Centro Cultural FIESP
- Endereço: Avenida Paulista, 1.313 – Bela Vista, São Paulo (em frente ao metrô Trianon-Masp)
- Período: 08 de outubro de 2026 a 03 de dezembro de 2026 (quintas-feiras, das 20h às 21h30); encontro final em 12 de dezembro de 2026 (sábado, das 20h às 21h30)
- Entrada: Gratuita, sem necessidade de reserva prévia (sujeito à lotação)
- 08/10: Áries e Libra com Lygia Fagundes Telles e Mário de Andrade
- 22/10: Touro e Escorpião com Hilda Hilst e Carlos Drummond
- 29/10: Gêmeos e Sagitário com Ana Cristina César e Clarice Lispector
- 19/11: Câncer e Capricórnio com J. G. Rosa e João Cabral de Melo Neto
- 26/11: Leão e Aquário com Jorge Amado e Leonardo Fróes
- 03/12: Virgem e Peixes com Leminski e Carolina Maria de Jesus
- 12/12: Homenagem a Caio Fernando Abreu: o Triângulo das Águas e a astrologia
