A trajetória de um dos maiores nomes da dança brasileira ganha registro detalhado com revelações sobre cinema, comissões de frente antológicas e a formação suburbana que moldou seu estilo.
O som da batucada que ecoava pelas ruas de Cavalcante funcionou como primeira escola para o dançarino, coreógrafo e diretor de movimento. Vizinho de fundação da Em Cima da Hora aos sete anos de idade, o artista foi descoberto por João Severino, presidente da agremiação, durante uma confraternização na casa de seu pai, Amarante. A autorização para desfilar transformou sua rotina e permitiu que vencesse a resistência materna para ganhar a noite suburbana.
A Em Cima da Hora foi a minha carta de alforria. Me deu a liberdade de ficar na rua até meia-noite
Na escola de Cavalcante, Carlinhos de Jesus participou do desfile de 1976 com o samba-enredo “Os Sertões” e conquistou o Estandarte de Ouro de melhor passista em 1985. A premiação coincidiu com sua estreia no cinema, quando foi convidado pela coreógrafa Regina Miranda para preparar trejeitos cênicos do ator Edson Celulari no longa-metragem “Ópera do Malandro”, dirigido por Ruy Guerra.

O terno branco e o salto para a história
A presença nos ensaios chamou a atenção de Chico Buarque e da direção do filme, resultando em uma participação como integrante do bando de Max Overseas. A caracterização cinematográfica estabeleceu o terno de linho branco como elemento inseparável de sua identidade visual artística ao longo das décadas seguintes.
A figura do malandro voltou ao centro da carreira do coreógrafo em 1998, no comando da comissão de frente da Estação Primeira de Mangueira. Incentivado pela esposa a aceitar a responsabilidade de suceder Deborah Colker, o artista idealizou a concepção cênica inspirada no malandro elegante de Wilson Grey, recebendo nota máxima dos jurados, o Estandarte de Ouro e cumprindo a promessa de raspar a cabeça ao lado de Chico Buarque na comemoração do campeonato.

Memória dividida e o método de criação
Embora guarde fortes lembranças afetivas da Portela e da amizade com nomes como Jerônimo, o coreógrafo atribui a Cartola sua aproximação definitiva com a verde e rosa. Sua assinatura artística passou posteriormente por agremiações como Beija-Flor, Vila Isabel, Império Serrano, Porto da Pedra e União da Ilha, onde venceu novamente o Estandarte de Ouro na edição de 2018.
Ao abordar os motivos de seu afastamento da folia, o profissional reforça que todo o processo coreográfico dependia estritamente da narrativa musical contida na letra dos compositores, partindo sempre do impacto lírico para construir os movimentos na pista de desfiles.

Serviço
- Programa: O Samba Tem História (Temporada com episódios semanais até 20 de novembro)
- Episódio: Carlinhos de Jesus (Exibição nesta sexta-feira, 2 de outubro)
- Próximas exibições: Nilze Carvalho (09/10), Marquynhos Diniz (23/10), Milton Manhães (06/11), Paulinho Resende (13/11) e Marcos Sacramento (20/11)
- Onde ouvir e assistir: Canal da Rádio Samba no YouTube e aplicativo oficial (iOS e Android)
- Informações institucionais: www.radiosambaoficial.com.br | contato@radiosambaoficial.com.br
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