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Cristina Aché ganha grande retrospectiva com 24 filmes no Rio

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A trajetória de Cristina Aché, um dos nomes mais marcantes do cinema brasileiro, ganha um mergulho profundo no Rio de Janeiro com a mostra “Filmes com Aché: uma Cristina do Cinema Brasileiro”, que ocupa a CAIXA Cultural entre 30 de junho e 26 de julho de 2026. A programação reúne 24 filmes e uma série de encontros que resgatam não apenas sua carreira, mas também momentos-chave da história do audiovisual no país.

Com curadoria de Rogerio Cavalcante e Castro e produção de Talles Reis, a retrospectiva percorre mais de quatro décadas de atuação da artista, desde os anos 1970 até trabalhos mais recentes. A proposta vai além da exibição: cada sessão se transforma em espaço de troca, memória e reflexão sobre o cinema brasileiro.

Uma carreira entre grandes nomes do cinema

Ao longo da mostra, o público terá acesso a filmes que conectam Cristina Aché a alguns dos mais importantes diretores e atores do país. Entre os convidados confirmados para os debates estão nomes como Juliana Carneiro da Cunha, Débora Bloch, Helena Ignez, Carla Camurati, Maria Zilda Bethlen, Tony Ramos, Reginaldo Farias, Stepan Nercessian e Edwin Luisi.

Também participam diretores que ajudaram a construir a linguagem do cinema nacional, como Daniel Filho, Bruno Barreto, Neville D’Almeida, Walter Carvalho, Francisco de Paula e Jom Tob Azulay. A presença desses profissionais transforma a retrospectiva em um espaço vivo de reconstrução histórica.

Um dos destaques da programação é o dia dedicado à cineasta Lúcia Murat, com quem Cristina Aché desenvolveu uma parceria significativa como atriz e produtora em três filmes.

Memórias de bastidores e personagens marcantes

Mais do que revisitar filmes, a mostra se propõe a revelar histórias por trás das produções. Os encontros com o público trarão relatos de bastidores e reflexões sobre o processo criativo em diferentes períodos do cinema brasileiro.

Alguns diretores marcaram profundamente minha trajetória. Conheci Joaquim Pedro de Andrade no filme Guerra Conjugal — com quem me casei, tive meus dois filhos e fiz três filmes. Todos maravilhosos, os filhos e os filmes.

Na mesma lembrança, Cristina cita experiências com nomes fundamentais como Bruno Barreto em Amor Bandido, Cacá Diegues em Chuvas de Verão e Neville D’Almeida em Os Sete Gatinhos. Também destaca trabalhos ligados ao universo de Nelson Rodrigues e adaptações literárias como Noites do Sertão.

Outro projeto lembrado pela atriz é O Judeu, dirigido por Jom Tob Azulay, marcado por um longo processo de realização e desafios de produção.

Para além das telas

Nascida no Rio de Janeiro, Cristina Aché construiu uma carreira que atravessa cinema, teatro, televisão e produção cultural. Foi uma das criadoras do restaurante Torre de Babel, em Ipanema, que se tornou ponto de encontro da cena artística carioca nas décadas de 1980 e 1990, além de atuar como produtora do Circo Voador.

Nos anos 2000, mudou-se para Paris, onde integrou o Théâtre du Soleil por três anos. Foi na França que entrou em contato com a técnica japonesa de tingimento shibori, aprendida com Ysabel Maisonneuve.

Atualmente, vivendo na região serrana do Rio de Janeiro, dedica-se à criação de tecidos artesanais voltados para vestuário e decoração, mantendo uma relação contínua com processos criativos.

Formação e novos talentos em foco

A programação da mostra incorpora também a segunda edição do Laboratório Roteiros do Arrabalde – Oficina de Criação Suburbana, realizado em parceria com o Projeto Paradiso. A iniciativa acontece entre 24 e 26 de julho e tem como foco jovens roteiristas de até 35 anos das periferias do Rio de Janeiro.

O projeto busca ampliar o acesso à formação audiovisual, priorizando moradores da Zona Norte, Zona Oeste, Zona Sudoeste (exceto Barra da Tijuca e Recreio), além da região da Pequena África e de favelas do Centro e da Zona Sul.

A aula inaugural será ministrada pela cineasta Ana Carolina, com participação de Bia Lessa em palestra sobre preparação de elenco. Os projetos selecionados contarão com consultorias de Lúcia Murat, Luh Maza e Cristina Aché, enquanto os pitchings serão avaliados por Maíra Oliveira, Maju Paiva e Clementino Jr.

Acesso e programação ampliada

Além das sessões regulares, a mostra inclui exibições com recursos de acessibilidade, como audiodescrição e Libras, contemplando títulos como Doces Poderes, Quase Dois Irmãos e Areias Escaldantes.

Outro destaque é o catálogo da mostra, que será distribuído gratuitamente e disponibilizado para download no site da CAIXA Cultural. A publicação reúne textos inéditos e ensaios assinados por críticas, diretoras, atrizes e pesquisadores do audiovisual.

Com entrada gratuita e uma programação extensa, a retrospectiva reafirma o papel da CAIXA Cultural como espaço de preservação e difusão da memória artística brasileira, ao mesmo tempo em que aponta para o futuro do cinema.


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