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Dias e Dias transforma deslocamento em diário visual de SP

Entre três horas de ônibus e o sonho de viver de arte, Dias e Dias retrata a juventude periférica em São Paulo e mira lançamento no fim de 2026.

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O média-metragem dirigido pela dupla 2Vilão, formada por Mary Abrantes e Peri, acompanha Caíque, um jovem fotógrafo dividido entre a estabilidade do trabalho e o desejo de existir pela criação. Assim, a cidade vira percurso e também conflito: entre o Centro e a Zona Sul, entre a pressa e a contemplação.

Mobilidade, tempo e o peso da distância

No coração da narrativa, a mobilidade urbana aparece como reflexo direto da desigualdade. O deslocamento em grandes centros, afinal, define tempo, acesso e até a permanência nos sonhos. Por isso, o filme trata o trajeto como linguagem: repetição, espera e insistência ganham forma de diário visual.

Filmado entre a periferia da Zona Sul e o Centro de São Paulo, o projeto observa o cotidiano de quem vive à margem. Enquanto Caíque atravessa a cidade, ele tenta encontrar sentido nas cenas que o cercam. Ao mesmo tempo, o filme faz do “um dia de cada vez” uma pergunta sobre futuro.

Elenco e voz periférica em cena

No elenco principal estão Bias, Larissa Diaz, Nando Bárá, Elias Cardoso e Felipe Paraguassu. Bias, que interpreta o protagonista, relata uma identificação direta com o personagem e com a realidade mostrada em tela. Segundo ele, a distância cotidiana pode virar um obstáculo real para quem tenta estudar e se profissionalizar.

“Dentro da minha realidade atual, eu demoro três horas para chegar onde estudo teatro, que sempre foi o meu sonho.”

O ator também destaca o que encontrou nos bastidores: uma equipe com presença significativa de profissionais negros, LGBTQIA+ e periféricos. Dessa forma, a experiência do set reforça a proposta do filme de aproximar narrativa e produção, colocando vivência e estética em diálogo.

Bastidores: 75% da equipe é da periferia

Com apoio institucional do Instituto Criar, ONG fundada em 2003, o filme reúne 16 talentos formados pela instituição, incluindo os diretores, o roteirista Guilherme Candido e a produtora executiva Ana Inez Eurico. Além disso, 75% da equipe é formada por profissionais da periferia, apontando para um audiovisual mais democrático e plural.

Para Mary Abrantes e Peri, “Dias e Dias” nasce do desejo de observar o tempo de quem trabalha, espera e sonha. Eles se definem como veteranos do Criar e citam a força de coletivos de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste, em trajetórias atravessadas por políticas públicas e ações do Instituto. Assim, o filme se aproxima de uma vivência que, segundo a dupla, também é deles.

“Nosso foco é o anseio pessoal de quem cria à margem. Não para vencer, mas para continuar.”

Potência do cinema brasileiro e previsão de estreia

A produção é da Fílmica, com patrocínio da Petrogal Brasil (JV Galp | Sinopec). Realizado por meio da Lei Rouanet, “Dias e Dias” tem previsão de lançamento para o último trimestre de 2026. Nesse recorte, o filme reforça como o cinema brasileiro pode nascer de territórios historicamente afastados dos recursos, mas centrais na invenção de novas narrativas.

Serviço

Título: Dias e Dias

Formato: Média-metragem

Direção: 2Vilão (Mary Abrantes e Peri)

Elenco principal: Bias, Larissa Diaz, Nando Bárá, Elias Cardoso e Felipe Paraguassu

Locações: Periferia da Zona Sul e Centro de São Paulo

Previsão de lançamento: último trimestre de 2026

Produção: Fílmica

Patrocínio: Petrogal Brasil (JV Galp | Sinopec)

Apoio institucional: Instituto Criar

Viabilização: Lei Rouanet

Realização: Ministério da Cultura e Governo Federal

Foto: Divulgação

Dias e Dias transforma deslocamento em diário visual de SP
Foto: Divulgação
Dias e Dias transforma deslocamento em diário visual de SP
Foto: Divulgação
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