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Estreia de Deixe-Me Viver transforma luto e a urgência do tempo em reflexão profunda

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A fragilidade da vida e a urgência das relações familiares conduzem a narrativa da nova aposta do cinema nacional, que antecipou sua estreia em uma noite marcada por lágrimas e aplausos contínuos no litoral baiano.

O conflito entre o tempo dedicado à carreira e os momentos genuínos em família é o pilar de Deixe-Me Viver. A produção realizou sua première nacional no último sábado, 31 de outubro, transformando a icônica Praça do Quadrado, em Trancoso, na Bahia, em um espaço catártico. Aclamado de pé pelo público, o projeto revela a jornada de Andrea, vivida por Mônica Carvalho, uma mulher focada no sucesso profissional que sofre um baque irreparável diante do diagnóstico de câncer terminal de sua filha, Julia, interpretada por Cat Dantas.

Eu me vi, muitas vezes, fingindo que estava prestando atenção nas minhas filhas, quando, na verdade, estava trabalhando. Pensei: são as pessoas que mais amo na vida. Vou dar atenção quando? Deixar para o futuro? A Andrea, minha personagem, também projeta tudo para depois. Mas esse futuro pode não chegar.

Diante da finitude iminente, mãe e filha decidem abandonar a rotina mecânica e partem para o Nordeste brasileiro. É nessa viagem que buscam não apenas uma trégua na dor, mas a oportunidade de vivenciar o afeto e a conexão que foram adiados por anos de excesso de trabalho e prioridades invertidas.

Estreia de Deixe-Me Viver transforma luto e a urgência do tempo em reflexão profunda
Foto: Guilherme Andrade

O magnetismo do cenário baiano e renúncias internacionais

A decisão de realizar a primeira projeção oficial no destino turístico não foi apenas um detalhe de distribuição. Grande parte da essência do filme se apoia nas paisagens e na atmosfera intimista do local. O ator Humberto Martins, que interpreta Albert na trama, pontuou que não haveria escolha mais adequada para o lançamento, visto que a narrativa se desenrola profundamente naquela geografia.

O comprometimento do elenco com o projeto também provocou mudanças de rota expressivas. A atriz Fernanda Arraes revelou um bastidor curioso sobre a noite de exibição: ela abriu mão de viajar a Los Angeles para a badalada cerimônia do Emmy, onde uma série americana da qual participou disputava vários prêmios, apenas para priorizar o lançamento e celebrar o cinema nacional ao lado dos colegas.

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Foto: Guilherme Andrade

Emoção coletiva e o percurso da obra até as telas

O impacto da primeira exibição pública validou a sensibilidade do roteiro. A atriz e co-roteirista Michele Muniz ressaltou a satisfação de poder observar de perto a reação do público diante de uma obra que questiona fortemente a nossa presença no mundo. Em sintonia com esse sentimento, Swara Sampaio descreveu a força visual de ver o Quadrado baiano completamente lotado e transbordando emoção ao final dos créditos.

Dirigido por Walther Neto, com roteiro assinado conjuntamente por Carvalho, Muniz e Marcelo Corrêa, o filme construiu uma sólida trajetória no mercado exterior antes de finalmente encontrar os espectadores brasileiros. A produção integrou eventos cobiçados da indústria, como o Marché du Film, no Festival de Cannes, e o Inffinito Brazilian Film Festival, sediado em Miami.

Viabilizado através da Yva Filmes, WN Produções e PRH-9 Produções, e com o patrocínio de instituições como o Banco do Nordeste, Governo da Bahia e Amaia Hotel Trancoso, o longa dividiu seus sets de filmagem. Além da calmaria baiana, a narrativa foi construída com cenários espalhados pelo estado de São Paulo, cobrindo locações na capital e nas cidades de Campinas e Presidente Prudente.

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Foto: Guilherme Andrade

Serviço


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Foto: Guilherme Andrade
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Foto: Guilherme Andrade
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Foto: Guilherme Andrade
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