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Festival mundial de IA elege melhor filme brasileiro em SP

“Warped Memories” venceu o WAIFF Brasil 2026 e vai a Cannes. O festival reuniu 400 filmes e 30h de debates sobre IA no audiovisual.

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O World AI Film Festival (WAIFF) realizou sua primeira edição brasileira nos dias 27 e 28 de fevereiro, na FAAP, em São Paulo. Em dois dias, o evento gerou mais de 30 horas de conteúdo por meio de palestras, debates, round tables, workshops e apresentação de cases, todos voltados a discutir o papel da inteligência artificial como nova ferramenta criativa no cinema, na publicidade e no streaming.

O WAIFF integra uma rede global de festivais dedicados à IA. Após a edição brasileira, o circuito segue para Japão, Coreia do Sul, China, França, Argentina e Canadá.

Abertura com debate sobre o futuro do audiovisual

A cerimônia de abertura, na manhã de sexta-feira, reuniu o fundador do WAIFF, Marco Landi; o adido cultural da França no Brasil, Brieuc Tanguy-Guermeur; a atriz e produtora Jacqueline Sato, presidente do júri da mostra competitiva; e a diretora-presidente da SPCine, Ana Paula Montini.

A Inteligência Artificial não vai substituir a aplicação humana, é mais uma ferramenta complementadora. Ana Paula Montini, diretora-presidente da SPCine

Montini contextualizou a chegada da IA ao setor: “O audiovisual é permeado pela tecnologia desde quando surgiu. É natural quando surge algo novo, como aconteceu com as cores lá atrás e com a legendagem, por exemplo, surjam questionamentos e até mesmo temores, mas a antecipação de tendências é algo que faz parte do setor. A história do audiovisual é marcada pelas grandes revoluções, mas nenhuma se contrapõe ao papel da criação em si. A Inteligência Artificial não vai substituir a aplicação humana, é mais uma ferramenta complementadora.”

Globo debate IA no jornalismo

Um dos painéis mais aguardados do primeiro dia foi apresentado pela Globo, com Carlos Octávio Queiroz, diretor de Dados e Inteligência Artificial, Arquitetura e Parcerias; Renato Franzini, diretor de redação do G1; e Clarissa Cavalcanti, editora executiva do núcleo de inovação e projetos especiais do jornalismo. A mediação ficou com Ben-Hur Correia.

É uma transformação cultural, que só está sendo possível porque os profissionais que trabalham diretamente na produção de conteúdo estão utilizando essas ferramentas. Carlos Octávio Queiroz, diretor de Dados e IA da Globo

O encerramento da sexta-feira trouxe o artista e diretor de TV Tadeu Jungle, a artista e professora da FAU-USP Giselle Beiguelman e o diretor e professor especialista em IA da ECA-USP Marcelo Muller, que debateram o fazer do cinema em tempos de IA, da pesquisa à pós-produção.

É fundamental que a gente tenha no cinema a presença humana. Sem isso, talvez tenhamos uma outra coisa. Uma ideia, uma cena, um desenho não é um filme. Um filme é um roteiro, e não apenas um prompt. Tadeu Jungle, artista e diretor de TV

Segundo dia: publicidade, cinema e premiação

No sábado, o publicitário Nizan Guanaes apresentou sua visão sobre o potencial da IA e anunciou que em breve lançará uma plataforma dedicada ao mercado publicitário. “A inteligência artificial possibilita a oportunidade de viver várias vidas, de empoderar as pessoas e os sonhos. Não há nada que alimente mais a nossa cabeça do que a IA, pois o processo criativo se alimenta de experiências diversas”, disse.

O painel “IA e as grandes produções do cinema” reuniu o produtor Fabiano Gullane, a cineasta Tata Amaral e o coordenador do curso de Cinema da FAAP, Humberto Neiva. Gullane destacou a responsabilidade da indústria: “A tecnologia é bem-vinda, e estamos vendo que é um avanço rápido. Fiquei impressionado com o resultado das animações dos filmes inscritos na mostra competitiva. Mas também é uma responsabilidade da indústria se atualizar sobre o uso das plataformas porque já temos uma responsabilidade muito grande com todas as obras que produzimos.”

“Warped Memories” leva o grande prêmio e vai a Cannes

O festival encerrou com a cerimônia de premiação da Mostra Competitiva, que recebeu mais de 400 filmes inscritos. Os concorrentes precisavam utilizar no mínimo três ferramentas generativas de IA, incluindo ao menos uma dedicada à geração de imagens. Ao todo, onze categorias foram premiadas, entre elas Longa-Metragem, Série Vertical, Publicidade, Animação e Melhor Diretora.

O troféu de Melhor Filme foi para “Warped Memories”, de Pedro Bayeux, que também ganhou como Melhor Documentário. O filme será exibido na edição francesa do WAIFF, em Cannes, com a viagem do diretor custeada pela SPCine.

O diretor do WAIFF Brasil, Carlos “Cebola” Guedes, confirmou o retorno do evento em 2027 e anunciou duas novas edições internacionais ainda em 2026: o WAIFF Argentina, em setembro, e uma edição em Vancouver, no Canadá.

Nós nos empenhamos muito para que tudo desse certo e ano que vem com certeza estamos de volta! Em setembro acontece o WAIFF Argentina e na sequência uma edição em Vancouver, no Canadá. Carlos “Cebola” Guedes, diretor do WAIFF Brasil

O WAIFF Brasil 2026 contou com patrocínio da CloudWalk, Plataforma CaisRoom, SPCine, MiniMax e CapCut, além do apoio da revista Elle, BRAVI, Grupo Papaki, Embaixada da França e Ampfy.

Foto: Divulgação

Festival mundial de IA elege melhor filme brasileiro em SP
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