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FID:RIO conecta cinema, memória e arte em sete espaços do Rio

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Um festival que trata a memória como matéria viva ocupa o Rio com cinema, teatro, música e instalações que investigam o passado e tensionam o presente.

A segunda edição do FID:RIO – Festival Internacional de Artes e Cinema de Não Ficção do Rio de Janeiro espalha sua programação por sete espaços culturais, entre eles o Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF), a Cinemateca do MAM e o Teatro Sesc Ginástico. O evento nasce do encontro com o FID:BA, de Buenos Aires, e reúne 56 produções ibero-americanas, além de shows, laboratórios e instalações que exploram a não ficção como linguagem artística.

O que pode uma imagem diante das forças que tentam apagar ou deformar a história?

Filmes que revisitam histórias silenciadas

A Mostra de Filmes se divide em seis sessões temáticas, com quatro competitivas. A Sessão Hemisfério reúne longas inéditos no Brasil e percorre países como Argentina, Bolívia e México com narrativas que tensionam estética e política. Entre os destaques está “Plata o mierda”, de Toia Bonino e Marcos Joubert, sobre relações afetivas mediadas por um celular dentro do sistema prisional.

No eixo brasileiro, a Sessão Trópico Longas traz títulos como “Anistia 79”, de Anita Leandro, que recupera registros inéditos de exilados políticos, e “Na passagem do trópico”, de Francisco Miguez, sobre conflitos urbanos em áreas de risco. Já os curtas das sessões Trópico Curtas e Latitude 22 ampliam o olhar para produções recentes, incluindo “Entrevista com fantasmas”, de Lincoln Péricles.

Três nomes argentinos atravessam o festival

A presença de Lucrecia Martel, Julieta Laso e Vivi Tellas marca o eixo internacional do evento. Martel apresenta “Nuestra Tierra” em sessão seguida de debate e ministra uma masterclass gratuita. O filme investiga o assassinato de um líder indígena e articula imagens, vozes e arquivos judiciais.

Na música, Julieta Laso leva ao palco um repertório que mistura tango e narrativa documental, acompanhada por Leandro Ángeli. No teatro, Vivi Tellas conduz o laboratório #LINK:BIO, que transforma relatos pessoais e arquivos em criação coletiva apresentada ao público.

Instalações tensionam imagem e poder

O festival também investe em instalações audiovisuais que discutem memória e política. “Mirante”, de Coraci Ruiz e Julio Matos, parte de registros em Cuba para criar uma experiência autônoma. Já “Em juicio”, de Ulises De la Orden, revisita o julgamento da ditadura argentina.

No CCJF, a mostra “Foco Godard” reúne curtas do cineasta franco-suíço em um ensaio sobre guerra e representação, propondo uma reflexão direta sobre o papel das imagens na construção da história.

Laboratório abre processos ao público

O #LINK:RIO: WIP acontece em paralelo como um espaço de desenvolvimento para filmes em fase inicial. Quatro projetos brasileiros foram selecionados para receber mentorias de profissionais do audiovisual, com foco em análise crítica e troca de experiências.

A proposta atravessa todo o festival: menos produto final, mais processo. A não ficção aparece como campo aberto, onde memória, arquivo e invenção se encontram.

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