A 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes lotou o Cine-Tenda e celebrou Karine Teles com o Troféu Barroco, sob defesa de políticas públicas para o audiovisual.
A cerimônia de abertura reuniu autoridades, representantes do poder público, realizadores, empresários e jornalistas. Mais do que o início da programação de filmes, a noite marcou o começo de uma semana de debates sobre cultura, políticas públicas e o papel estratégico do audiovisual no Brasil.
A Mostra como espaço de articulação
Em sua fala, a coordenadora-geral da Mostra, Raquel Hallak, reforçou o compromisso histórico do evento com novas vozes e formas de criação no cinema brasileiro. “Existe uma imaginação que emerge de muitos Brasis e propõe várias formas de existir. A Mostra, desde que surgiu, decidiu apostar nesses novos protagonismos e possibilidades”, afirmou.
Raquel defendeu a regulação das plataformas, a distribuição democrática das políticas públicas e o fortalecimento do cinema brasileiro como vetor de protagonismo econômico e simbólico. Ao lado de parceiros institucionais, ela também lançou oficialmente as atividades de 2026 do programa Cinema sem Fronteiras, com anúncio das datas da CineOP e da CineBH.
Karine Teles recebe o Troféu Barroco
Homenageada desta edição, a atriz e diretora Karine Teles recebeu o Troféu Barroco em reconhecimento a uma trajetória construída ao longo de mais de duas décadas. Emocionada, ela subiu ao palco do Cine-Tenda acompanhada da família, em uma homenagem que ressaltou escolhas autorais, versatilidade artística e compromisso com a criação cinematográfica.
No discurso, Karine falou sobre a instabilidade de quem trabalha com cultura no Brasil. “Quem trabalha com cultura, com educação, com arte no nosso país sabe que a gente está o tempo todo recomeçando. São carreiras instáveis, imprevisíveis, numa montanha-russa frequente de emoções”, afirmou, ao citar ciclos de reconhecimento e invisibilidade no setor.
A artista também destacou o peso da permanência. “Persistir, ficar, é muito difícil. Não é nada valoroso, não é nada romântico. É muito duro”. Ao agradecer à curadoria, Karine disse desejar que a Mostra siga “existindo, crescendo e promovendo encontros e debates”.
Autoridades defendem políticas para o audiovisual
A abertura contou com a presença da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo. Para ela, o momento atual amplia a projeção do cinema brasileiro e revela algo maior sobre o país. “Vivemos um momento importantíssimo de projeção do cinema brasileiro no mundo. E isso significa algo mais profundo: somos um povo que sabe transformar memória, dor, alegria e luta em narrativa”, afirmou.
Segundo a ministra, o cinema brasileiro se forma a partir de resistência e organização coletiva, tornando-se território de disputa de sentidos, afirmação de dignidade e enfrentamento das desigualdades. “É por isso que ele ocupa um lugar tão central no debate sobre direitos humanos e é por isso que estamos aqui também”, completou.
Já a secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, Joelma Gonzaga, abriu oficialmente o calendário audiovisual brasileiro e celebrou o reconhecimento internacional do país. Vestindo uma camiseta do filme “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, indicado a quatro Oscars, ela destacou a ligação direta entre conquistas artísticas e políticas públicas.
“Quando um filme do Brasil entra em cartaz, o Brasil inteiro entra em cartaz. E nesse momento o Brasil está em cartaz no mundo todo. Isso não é por acaso, é fruto de política pública.”
Foto: Divulgação

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