Na Mostra de Tiradentes, o Governo do Brasil mostrou articulação para levar o audiovisual à Nova Indústria Brasil e acelerar um plano participativo de metas.
As discussões deste sábado (24), dentro do 4º Fórum de Tiradentes e da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes (MG), evidenciaram a integração institucional em torno de políticas para o setor. Ao mesmo tempo, reforçaram a participação social como motor de formulação e legitimação das iniciativas públicas para o cinema e o audiovisual.
Integração do audiovisual na Nova Indústria Brasil
No debate “Audiovisual como estratégia de Estado: convergências, indústria e desenvolvimento”, a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAV) defendeu o audiovisual como eixo estruturante de desenvolvimento. Participaram a secretária Joelma Gonzaga e a diretora de Difusão e Preservação, Daniela Fernandes.
Joelma detalhou a articulação política que viabilizou a entrada do audiovisual na Nova Indústria Brasil (NIB). Segundo ela, o processo foi construído de forma colaborativa com outros ministérios e conectado aos diagnósticos usados na elaboração do Plano de Diretrizes e Metas.
“Quero louvar a integração dos ministérios nesses trabalhos. Quando for entregue o Plano de Diretrizes e Metas e quando for entregue a cadeira do audiovisual dentro da NIB, isso vai nos possibilitar enxergar uma foto geral do audiovisual do Brasil.”
PDM: metodologia e participação social
Daniela Fernandes apresentou a metodologia de construção do Plano de Diretrizes e Metas (PDM) do audiovisual brasileiro, além de diretrizes estruturantes e objetivos. Para ela, a participação social não é acessória: é um eixo central do processo e um princípio das políticas públicas do governo.
“A força da complementaridade está justamente no fato de que as políticas se potencializam entre si. O PDM aponta esse caminho.”
Bruna Boeckmann, assessora da Agência Nacional do Cinema (Ancine), reforçou que o PDM nasce com perfil participativo, com execução possível e foco em resultados concretos para o setor.
Indústria, empresas e exportação
Jussara Locatelli apontou o PDM como referência para ações futuras e destacou que a inclusão do audiovisual na NIB tende a abrir caminhos para pequenas e médias empresas. Já Walkiria Barbosa, presidenta da Federação da Indústria e Comércio Audiovisual (Fica), avaliou que a NIB pode inserir o setor em acordos estratégicos e acelerar a modernização da indústria.
Durante a mesa, Walkiria também anunciou o início de uma pesquisa de mercado sobre exportação de filmes brasileiros, em um momento em que a internacionalização do conteúdo nacional volta ao centro do debate público e econômico.
A mediação foi conduzida por Débora Ivanov, da coordenação geral do 4º Fórum de Tiradentes.
Abertura do Fórum e agenda institucional
Joelma Gonzaga também participou da abertura do 4º Fórum de Tiradentes, voltada aos desafios e oportunidades para consolidar um ecossistema nacional do audiovisual. Em sua fala, ela relacionou o reconhecimento atual do cinema brasileiro ao contexto político e institucional e afirmou que a atuação da SAV se apoia em dados, evidências e planejamento de longo prazo, com foco na continuidade das políticas.
No debate, Aline Zero, representando o Ministério da Educação, defendeu o cinema como bem cultural e instrumento de formação e leitura de mundo. Durval Ângelo, do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, chamou atenção para a necessidade de convergência entre setores progressistas da cultura e do audiovisual diante do cenário político.
A diretora da Ancine, Patrícia Barcelos, apresentou um balanço das ações da agência em 2025 e anunciou a criação da Comissão de Gênero, Raça e Pessoa com Deficiência. Francis Vogner dos Reis, coordenador curatorial da Mostra, enfatizou a complexidade do cinema brasileiro e a importância da preservação audiovisual, associando o tema à soberania imaginativa.
Também participaram Juliano Lopes, prefeito em exercício de Belo Horizonte, Samara Castro, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, e a deputada federal Jandira Feghali. Ela defendeu a soberania cultural, a convergência do setor com o governo federal e a regulamentação das plataformas de Vídeo sob Demanda (VOD).
A mediação foi feita por Tatiana Carvalho Costa, presidenta da APAN e membro do Conselho Superior de Cinema.
Foto: Divulgação

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