Ícone do site Aurora Cultural

O filme que emocionou San Sebastián chega ao Brasil em maio

O filme que emocionou San Sebastián chega ao Brasil em maio

Vencedor de Melhor Diretor e Roteiro em San Sebastián, “Seis Dias Naquela Primavera” estreia dia 07 de maio nos cinemas brasileiros pela Zeta Filmes.

Instagram
Siga o Aurora Cultural no Instagram
Seguir @auroraculturalportal

O cineasta belga Joachim Lafosse é reconhecido por construir dramas íntimos com profunda ressonância social. Em seu novo longa, ele vai ainda mais fundo: mergulha na própria infância para contar uma história que é, ao mesmo tempo, memória pessoal e retrato político de uma geração.

Uma semana escondida que mudou tudo

Sana, uma mãe solo, decide levar seus filhos gêmeos para as férias da primavera. Após uma série de imprevistos, os três acabam se hospedando clandestinamente em uma casa de luxo na Riviera Francesa, propriedade dos antigos sogros. O que parece uma aventura infantil se transforma em seis dias de alegria e ansiedade — até que a inocência chega ao fim.

A narrativa é direta, mas a câmera de Lafosse capta o que está nas entrelinhas. Cada gesto de Sana revela o peso da precariedade. Cada mergulho no mar carrega a consciência de que aquele paraíso não lhes pertence. É nessa tensão silenciosa que o filme encontra sua força.

Memória, confissão e desigualdade

Lafosse revelou que o roteiro nasceu de uma lembrança real: ele e seu irmão gêmeo viveram, aos dez anos, uma semana semelhante com a mãe. “Senti uma grande alegria por aproveitar um lugar idílico com uma mãe amorosa, mas também uma ansiedade terrível diante da possibilidade de a polícia nos encontrar”, disse o diretor. Essa dualidade — doçura e medo — estrutura toda a narrativa.

De todos os filmes que já fiz, este é o que mais desperta ternura em mim, porque cada dia de edição era uma nova chance de rever aquelas praias, reviver os mergulhos no mar, as partidas de bocha, a intensidade daqueles seis dias naquela primavera curiosa em que tínhamos dez anos. — Joachim Lafosse, diretor

Para Lafosse, o filme é também sobre a violência silenciosa da desigualdade de classe. “É a história do dinheiro do papai e da precariedade da mamãe”, afirmou. A oposição entre o poder financeiro do pai e a luta diária da mãe é revelada pelo olhar das crianças — sem julgamentos, mas com clareza perturbadora.

Elenco e equipe técnica

Eye Haïdara assume o papel central de Sana com presença marcante. Ao seu lado, Emmanuelle Devos e Damien Bonnard completam um elenco de peso. A fotografia de Jean-François Hensgens reforça a atmosfera luminosa e contemplativa, enquanto a montagem de Marie-Hélène Dozo confere ao filme seu ritmo preciso e sensível.

Lafosse e sua trajetória no cinema europeu

Nascido em Bruxelas em 1975, Joachim Lafosse construiu uma das carreiras mais sólidas do cinema europeu contemporâneo. Passou por Locarno, Veneza, Cannes e San Sebastián ao longo de mais de duas décadas. Entre seus trabalhos mais celebrados estão Propriedade Privada, com Isabelle Huppert, e Perder a Razão, que rendeu o prêmio de Melhor Atriz em Cannes a Émilie Dequenne. Com Seis Dias Naquela Primavera, Lafosse vence pela segunda vez em San Sebastián — desta vez levando os dois prêmios mais importantes da competição.


Serviço

O filme que emocionou San Sebastián chega ao Brasil em maio
Foto: Divulgação
Sair da versão mobile