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O homem que viveu 17 anos com o pescoço quebrado

O homem que viveu 17 anos com o pescoço quebrado

Roger Chedid chegou a pedir para morrer antes de descobrir que estava com fratura cervical há 17 anos. Agora, sua história vira o filme 45 Dias.

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“Pedi para Deus me levar naquela época. Eu não vim ao mundo para ser tartaruga.” A frase é de Roger Chedid, ex-atleta de alta performance e protagonista real por trás de 45 Dias, longa-metragem previsto para estrear em 2027. O que parece roteiro de ficção científica é, na verdade, uma das histórias mais impressionantes do cinema brasileiro recente: um homem vivendo com o pescoço quebrado por quase duas décadas sem saber.

O acidente que ninguém levou a sério

Tudo começou durante sua trajetória no São Paulo Futebol Clube. Após um acidente, os procedimentos de emergência não foram seguidos corretamente, e a gravidade da situação passou despercebida por todos, inclusive pelo próprio Roger.

“Na verdade, ninguém imaginava a gravidade. Eu e todo o pessoal fomos negligentes naquele dia. Em vez de seguirem o protocolo e imobilizarem meu pescoço, fizeram da maneira deles”, contou ele. A musculatura cervical desenvolvida pelo esporte de alta performance acabou sendo, ao mesmo tempo, um fator de proteção e um elemento que mascarou o problema durante anos.

“Meu pescoço era muito forte. Isso fez com que eu segurasse a lesão por cerca de dez anos.”

Sinais que chegaram devagar demais

Com o tempo, o corpo começou a dar sinais que não podiam mais ser ignorados. A perda do equilíbrio e a dificuldade de locomoção foram se instalando lentamente, agravadas por um período de luto intenso com a morte dos pais.

“Depois de dez anos comecei a perceber diferença nos movimentos, principalmente no equilíbrio. E isso coincidiu com a perda do meu pai e da minha minha mãe. Tudo foi sendo postergado”, disse Roger. Mesmo ao procurar médicos, os exames indicavam apenas uma compressão na medula, sem identificar a fratura. O diagnóstico correto só veio quando ele mal conseguia andar.

Foi um especialista em coluna que, ao analisar uma radiografia simples, identificou o que tantos outros haviam deixado passar. “Na primeira foto ele viu que meu pescoço estava quebrado. A primeira vértebra estava solta. E eu precisava passar por uma cirurgia urgente”, relembrou.

45 dias que mudaram tudo

É justamente esse período de espera e tensão que o filme retrata. Os 45 dias que antecederam a cirurgia de alto risco, repletos de dúvidas, fé abalada e a iminência do desconhecido, formam o núcleo dramático da produção. Mais do que um relato de superação, o longa aposta em questões universais: os sinais que o corpo envia e ignoramos, a força mental diante da dor e a capacidade humana de recomeçar.

Elenco e produção

Paulo Vilhena interpreta Roger Chedid na tela, em papel que o diretor Walther Neto já adiantou ser especial. “A performance do Paulinho está maravilhosa, assim como a dos outros atores. Hoje gravamos com Humberto Martins, que teve uma entrega especial”, destacou o diretor.

O elenco conta ainda com Mônica Carvalho, Oscar Magrini, Rafael Cardoso, Juliana Schalch e Ricardo Macchi. As participações especiais ficam por conta de Humberto Martins e Jackson Antunes. A produção é da WN Produções e Marc Films, com coprodução da PRH9 e produção associada da Yva Filmes e Angel Produções.


Serviço


O homem que viveu 17 anos com o pescoço quebrado
Foto: Luciano Carcará
O homem que viveu 17 anos com o pescoço quebrado
Foto: Luciano Carcará
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