O Olhar de Cinema consolida sua trajetória ao chegar à 15ª edição transformando o próprio amadurecimento em tema central. Até o dia 13 de junho, Curitiba volta a ser um dos principais polos do cinema independente no Brasil, reunindo produções que exploram identidade, memória e transformação.
Com o conceito “Coming of Age”, tradicionalmente ligado a narrativas de crescimento pessoal, o festival utiliza a ideia como metáfora para sua própria evolução. Ao longo dos anos, o evento ampliou sua estrutura, fortaleceu sua curadoria e se firmou como espaço relevante para o cinema nacional e internacional.
Um festival que cresce com o tempo
O amadurecimento do Olhar de Cinema não se limita à proposta conceitual desta edição. Ele também se reflete na forma como o festival se organiza e se posiciona no cenário cultural. Segundo o diretor Antonio Gonçalves Jr, a essência do evento permanece intacta, mesmo com as mudanças ao longo do tempo.
“O Olhar de Cinema conta atualmente com um formato maduro. Algumas coisas mudaram desde que começamos, mas o coração é o mesmo, o cerne é o mesmo, assim como a estrutura, mas essas adaptações só foram possíveis devido ao amadurecimento”.
A fala sintetiza o momento do festival: um evento que preserva sua identidade enquanto se adapta às transformações do audiovisual e do público. Essa dualidade entre permanência e mudança é justamente o eixo que conecta a programação, a estética e a proposta curatorial desta edição.
A identidade visual como narrativa
O conceito “Coming of Age” ganha forma também na identidade visual assinada por Rafael Silveira. Conhecido por um estilo marcado pelo surrealismo e por composições inventivas, o artista traduz visualmente a ideia de transformação do olhar ao longo do tempo.
Para Silveira, o amadurecimento não é apenas uma passagem cronológica, mas uma mudança profunda na forma de perceber o mundo. Sua interpretação artística busca refletir essa transição contínua, em que experiências moldam novas perspectivas.
“Fiquei pensando sobre o significado desta expressão. Seus desdobramentos. O que realmente muda quando a idade chega? Cada fase da vida revela uma série de descobertas. Não é só o mundo que muda. Nós mudamos. Nosso olhar sobre a mesma coisa muda também. É como se o tempo fosse um vento que nos transporta para além da neblina, um lugar mágico onde a paisagem se revela e nos dá o privilégio de ter uma visão panorâmica da vida”.
Essa abordagem amplia o alcance do tema, que deixa de ser apenas narrativo e passa a atravessar toda a experiência do festival.
Filmes que exploram identidade e transformação
A programação reforça o conceito com obras que abordam jornadas de autodescoberta, conflitos internos e processos de mudança. Entre os destaques está “Futuro Futuro”, de Davi Pretto, vencedor de Melhor Longa-Metragem no 58º Festival de Brasília.
Ambientado em um futuro próximo, o filme acompanha um homem sem memória que tenta reconstruir sua identidade, em uma narrativa que mistura ficção científica e drama existencial. A busca por pertencimento se torna o motor da história.
Na Mostra Competitiva Brasileira, “Quase Inverno”, de Rodrigo Grota, mergulha em relações familiares marcadas por segredos e reencontros. A trama acompanha três irmãs que retornam à fazenda onde cresceram, confrontando o passado e suas próprias identidades.
Já “A Holandesinha”, dirigido por João Gabriel Kowalski e Luisa Godoi, traz uma perspectiva documental sobre amadurecimento e inclusão. O filme acompanha uma jovem com Síndrome de Down que sonha em ser cineasta e realiza seu primeiro curta-metragem, revelando desafios, descobertas e afirmação pessoal.
Sete olhares sobre o amadurecimento
O festival também organizou uma seleção especial de filmes que dialogam diretamente com o tema desta edição, explorando diferentes fases da vida e experiências de transformação.
- “Pinguim de Doce de Leite” (Dir. Ana Vitória Miotto Tahan | Brasil | 2026 | 22’) — acompanha uma noite decisiva na infância de um garoto de 10 anos.
- “Futuro Futuro” (Dir. Davi Pretto | Brasil | 2025 | 86’) — jornada de um homem sem memória em busca de identidade.
- “A Holandesinha” (Dir. João Gabriel Kowalski, Luisa Godoi | Brasil | 2026 | 90’) — trajetória de uma jovem cineasta com Síndrome de Down.
- “Quase Inverno” (Dir. Rodrigo Grota | Brasil | 2026 | 93’) — reencontros familiares e segredos do passado.
- “A Noite Já Está Partindo” (Dir. Ramiro Sonzini, Ezequiel Salinas | Argentina | 2025 | 104’) — um cinema que se transforma em abrigo e comunidade.
- “Pirexia” (Dir. Nico da Costa | Brasil | 2026 | 20’) — crise criativa e reencontro artístico.
- “Disciplina” (Dir. Affonso Uchôa | Brasil | 2026 | 45’) — conflitos e aprendizados dentro da escola pública.
Além desses títulos, outros curtas e longas também dialogam com o tema, ampliando a diversidade de abordagens e reforçando o recorte curatorial desta edição.
Curitiba como palco do cinema independente
Com sessões distribuídas em espaços como Cinemateca de Curitiba, Cine Passeio, MON, Teatro da Vila e CIC, o festival reforça sua presença na cidade e amplia o acesso ao público. Parte da programação conta com sessões gratuitas, além de exibições com recursos de acessibilidade.
Os ingressos variam de R$8 (meia-entrada) a R$18, disponíveis no site oficial. A proposta é manter o festival acessível sem abrir mão da qualidade e da diversidade de sua programação.
Ao completar 15 edições, o Olhar de Cinema não apenas revisita sua trajetória, mas também reafirma seu papel como espaço de reflexão, descoberta e formação de público — características que acompanham qualquer processo de amadurecimento.
Serviço
- 15º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba
- Data: 4 a 13 de junho
- Site oficial: www.olhardecinema.com.br
- Instagram: www.instagram.com/Olhardecinema
- Facebook: www.facebook.com.br/Olhardecinema
- Tik Tok: @olhardecinema
- X/Twitter: @Olhardecinema_
- Produção: Grafo Audiovisual
- Patrocínio Master: Terminal de Contêineres de Paranaguá
- Patrocínio: Itaú, Peróxidos do Brasil, Mili, Fomento Paraná e Sanepar
- Apoio: Teatro da Vila, Cine Passeio, ICAC – Instituto Curitiba de Arte e Cultura, Fundação Cultural de Curitiba, Prefeitura Municipal de Curitiba, Projeto Paradiso e Uninter
- Apoio Cultural: MON
- Incentivo: Fundação Cultural de Curitiba, Prefeitura de Curitiba, Secretaria da Cultura, Profice e Objetivos de desenvolvimento sustentável
- Realização: Ministério da Cultura – Governo Federal – Do lado do povo brasileiro

Leia também
- Festival de Curitiba impulsiona turismo e reúne 30 mil pessoas
- Ópera de Arame lota com estreia de “Yellow Cake” no Olhar de Cinema
- Yellow Cake abre 15 anos de Olhar de Cinema em Curitiba
- Olhar de Cinema announces 2026 dates and expanded program