Gravado em escola pública do Jardim São Luís, filme de Thiago Camacho vence como Melhor Vídeo-Arte no Festival MT Queer Premia 2025.
Filme nascido da periferia e premiado no cinema queer
O cineasta, performer e pesquisador da USP Thiago Camacho foi premiado no Festival MT Queer Premia 2025, em Cuiabá (MT), com o filme “Sangue de Réptil”, eleito Melhor Vídeo-Arte. A obra foi gravada dentro de uma escola pública no Jardim São Luís, periferia da zona sul de São Paulo, onde o diretor também atua como professor.
O filme denuncia o abandono da educação pública e celebra a arte na escola como forma de resistência e transformação social. Em “Sangue de Réptil”, professores, estudantes, artistas e moradores da comunidade tornam-se protagonistas de um território de ausências e de lutas, revelando a força da arte como instrumento de subversão e de esperança.
“A escola pública é o coração da periferia. É onde a vida pulsa, resiste, e cria mesmo quando o Estado se ausenta.”
Na obra, performance e cinema se cruzam como ferramentas pedagógicas, políticas e afetivas, reforçando o compromisso do artista com uma arte que nasce da vivência comunitária e das práticas educativas.
Criação coletiva e vínculo com a pesquisa acadêmica
Thiago Camacho assina direção, roteiro, produção, idealização, direção de arte e performance, em parceria com Sérgio Leão (fotografia, edição e trilha sonora), Silvana Camacho (codireção) e Nathy Silva (assistência de câmera). O elenco conta com Oliver Olivia, Silvana Camacho e Bernadete Rodrigues da Rocha, professores e artistas da própria região.
A produção está vinculada ao doutorado de Thiago Camacho na Universidade de São Paulo (USP), com a tese “Práticas Performativas na Escola Pública e a Subversão como Metodologia de Aprendizagem e Criação”, orientada pelo professor Marcos Aurélio Bulhões Martins. A pesquisa investiga como a performance e o artivismo podem atuar como estratégias de emancipação e produção de conhecimento em contextos vulnerabilizados.
“Moro onde ensino, e ensino onde pesquiso. A escola pública é também meu laboratório de criação e de vida.”
Arte, educação e resistência
Integrante do Laboratório de Práticas Performativas da ECA-USP, Camacho pesquisa o corpo como linguagem crítica e política. Sua arte emerge do cotidiano do Jardim São Luís, unindo educação, crítica social e criação coletiva.
Além de “Sangue de Réptil”, o diretor também conquistou prêmios internacionais em 2025 com o longa “Fora (OUT)”, reconhecido no Colors of Love Film Festival, em Mumbai (Índia), nas categorias Melhor Produtor LGBT+ e Melhor Filme LGBT – Performance.
Camacho é fundador da Entre Produções, coletivo audiovisual independente da zona sul de São Paulo, que realiza projetos em diálogo com a comunidade e com estudantes da rede pública. Seu trabalho reafirma o papel da escola pública como espaço de pensamento crítico, diversidade e invenção.
“Nosso filme nasce da periferia e dialoga com o mundo. É uma forma de dizer que a escola pública é nossa — e que dela nasce arte, afeto e revolução.”




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