A escultura A Baleia, de Ângelo Venosa, voltou a ocupar seu lugar na orla do Leme nesta segunda-feira (01/06), após passar por um processo completo de restauração. O retorno da obra marca não apenas a recuperação de um símbolo da paisagem carioca, mas também um movimento mais amplo de valorização da arte pública na cidade.
Instalada no canteiro central da praia, a peça de grandes dimensões voltou a chamar atenção de quem passa pela região, agora livre de danos acumulados ao longo dos anos. A entrega foi acompanhada de uma programação que reuniu educação, memória e homenagem.
Homenagem e encontro com novas gerações
Para marcar a reentrega, o Instituto Carioca Cidade Criativa promoveu uma palestra dedicada à trajetória de Ângelo Venosa. A atividade foi conduzida por Bárbara Venosa, filha do artista, professora e pesquisadora, e reuniu setenta alunos da Escola Municipal São Tomás de Aquino.
O encontro contou também com a presença da viúva do artista, Sara Venosa, e de seu neto, Lucas. Após a conversa, o grupo seguiu até o local onde a escultura está instalada, participando de uma homenagem simbólica que conectou o legado do artista às novas gerações.
A iniciativa reforça o papel da arte como ferramenta de educação e aproximação, especialmente quando inserida no espaço urbano cotidiano.
O processo de restauração
A recuperação da obra envolveu diversas etapas técnicas para garantir não apenas a estética original, mas também a integridade estrutural da escultura. Entre os procedimentos realizados estiveram a lavagem completa, com remoção de pichações, além da eliminação de áreas comprometidas por corrosão e desfolhamento.
Também foi feita a recomposição volumétrica de partes danificadas, permitindo que a leitura visual da obra fosse restabelecida de forma fiel à proposta original. O trabalho respeitou as características do aço corten, material escolhido por Venosa e conhecido por sua resistência e aparência oxidada.
O restauro foi viabilizado pelo projeto RevivaRio Leme, conduzido pelo Instituto Carioca Cidade Criativa em parceria com a iniciativa privada.
Uma obra que virou símbolo
Criada em 1990, A Baleia foi a primeira obra pública de Ângelo Venosa. Com seis metros de altura, quatro de largura e mais de 12 toneladas, a escultura se destaca pela imponência e pela linguagem visual que mistura o orgânico e o estrutural.
Embora o artista tenha afirmado que não pretendia representar literalmente o animal, a forma sinuosa e vazada levou os cariocas a adotarem o nome que se tornou definitivo. Desde então, a peça passou a integrar o imaginário urbano do Rio de Janeiro.
A obra sintetiza uma das marcas mais fortes da produção de Venosa: a tensão entre natureza e construção, entre leveza visual e peso físico.
O legado de Ângelo Venosa
Figura central da chamada Geração 80, Ângelo Venosa construiu uma trajetória singular na arte contemporânea brasileira ao migrar da pintura para a escultura. Formado pela ESDI e com passagem pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage, desenvolveu uma linguagem própria que articula elementos industriais e referências biológicas.
Seus trabalhos exploram materiais diversos como madeira, resina, ferro e ossos, criando estruturas que remetem a formas anatômicas e ancestrais. Ao longo da carreira, participou de importantes eventos como as Bienais de Veneza e São Paulo, consolidando reconhecimento internacional.
Além de A Baleia, o artista deixou obras em acervos relevantes, como o MAM-SP e a Pinacoteca de São Paulo, reafirmando sua influência tanto no espaço urbano quanto institucional.
Parcerias e revitalização urbana
A restauração integra uma estratégia mais ampla de recuperação de espaços públicos por meio de parcerias. O Instituto Carioca Cidade Criativa, responsável pelo projeto, atua como articulador entre sociedade civil, poder público e iniciativa privada.
Segundo a sócia fundadora do ICCC, Ana Luiza Piza, o projeto representa mais do que a recuperação de uma obra específica.
“Esse é um projeto que nos deixa muito orgulhosos, pois além de revitalizar mais um espaço público da cidade recupera a obra icônica de um grande artista”
Nesta ação, o instituto contou com o patrocínio da Granado, do Instituto Yduqs/Estácio de Sá e do Supermercado Zona Sul, consolidando um modelo de cooperação que vem sendo aplicado em diferentes pontos do Rio.
Desde sua criação, em 2019, o ICCC já esteve à frente de projetos como a revitalização do Museu da República, intervenções no Parque Nacional Municipal Dois Irmãos com esculturas de Oscar Niemeyer, além de melhorias no Espaço Millôr Fernandes, na Praça General Osório, no Parque da Catacumba e no portão do Parque Guinle.
Serviço
- Local: Orla do Leme, canteiro central da praia
- Data da entrega: 01/06
- Projeto: RevivaRio Leme
- Realização: Instituto Carioca Cidade Criativa
- Patrocínio: Granado, Instituto Yduqs/Estácio de Sá, Supermercado Zona Sul





