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A cozinha que resiste: roda sobre racismo alimentar em Perus

No dia 18 de abril, a chef Dani Souza conduz debate gratuito sobre racismo alimentar na Comunidade Cultural Quilombaque, em Perus, São Paulo.

Em Perus, na Zona Noroeste de São Paulo, a cozinha tem sido ponto de partida para reflexões que vão muito além do prato. O projeto Sabores do Tempo – Conexões Entre o Saber e o Fazer, realizado pela Coletiva Tempero de Oyá, reúne moradores e interessados para discutir alimentação, território e justiça social por meio de rodas de conversa gratuitas com tradução em LIBRAS.

Uma iniciativa que cresce em participação

Os dois primeiros encontros já indicam a potência da iniciativa. Em fevereiro, 16 pessoas participaram da roda “Nutrição e Saúde”, com Valéria Pássaro — educadora social com pesquisa em desenvolvimento infantojuvenil e estudos em alimentação e saúde com base naturista. A conversa partiu de experiências cotidianas para abordar a alimentação como direito e como expressão cultural.

Em março, o número cresceu: 18 participantes se reuniram para a roda “Soberania alimentar: plantar e colher”, conduzida pela bióloga Bruna Macedo. O debate trouxe à tona hortas comunitárias, autonomia alimentar e reconexão com os ciclos naturais dos alimentos. O cultivo foi tratado como prática política e de resistência nas periferias.

Racismo alimentar entra em pauta

A próxima roda acontece no dia 18 de abril de 2026, às 15h, na Comunidade Cultural Quilombaque, em Perus. O tema é “Racismo alimentar”, e a condução será da chef e sommelière Dani Souza. O encontro vai aprofundar o debate sobre como desigualdades raciais impactam o acesso à alimentação de qualidade, além de discutir representatividade e os atravessamentos do racismo estrutural no sistema alimentar.

Gastronomia dos afetos como estratégia política

Contemplado pelo Programa VAI 2025/26, o Sabores do Tempo aposta na chamada gastronomia dos afetos como estratégia de fortalecimento comunitário — especialmente entre mulheres periféricas, que historicamente encontram na cozinha uma ferramenta de autonomia e geração de renda. Ao propor esses encontros, o projeto articula vivências individuais e coletivas, transformando a cozinha em ambiente de formação, memória e mobilização.

Ao final do ciclo, será produzida uma cartilha colaborativa com conteúdos e reflexões desenvolvidos ao longo das atividades, ampliando o alcance das discussões para outros territórios.

Sobre a Coletiva Tempero de Oyá

Criada em 2015, em Perus, a Coletiva Tempero de Oyá nasceu como homenagem à horta de Dona Iracema e à ancestralidade ligada a Iansã. Desde então, desenvolve ações que unem culinária, memória e formação — com oficinas, cursos, distribuição de marmitas e iniciativas sociais no território. Em 2024, o projeto recebeu o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) para um encontro sobre a história da cultura alimentar afro-brasileira.

A cozinha deixa de ser apenas um lugar de preparo de alimentos e se torna um ambiente de formação, memória e mobilização comunitária.


Serviço

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