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A linguagem escolar em disputa na individual de Guilherme Bruschi

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A sala de aula como campo de fricção entre linguagem e vigilância dá o tom da primeira mostra individual do artista visual e pesquisador Guilherme Bruschi.

A tensão entre a palavra que dita a norma e aquela que escapa aos significados estabelecidos ganha corpo no Espaço Paulo Gaiad, sediado na Fundação Cultural Badesc. Intitulada “outros tipos de palavras”, a mostra reúne 16 trabalhos produzidos entre 2023 e 2026, selecionados por meio da Chamada Pública Paulo Gaiad 2026. O projeto investiga a linguagem a partir de suportes diversos, integrando fotografias, faixas, cartazes, crachá, partitura, peça sonora e instalação.

Muitas vezes, a palavra fundamenta os acessos e não-acessos, impede o trânsito ou instaura uma situação de vigilância constante (e de medo constante). Como escrever diferente? Como dizer diferente?

O choque entre método educativo e gesto visual

A pesquisa poética de Guilherme Bruschi decorre diretamente de sua atuação como professor. O conjunto de obras foi concebido a partir da vivência em três ambientes distintos de ensino: um colégio cívico-militar, uma escola municipal e um centro de educação de jovens e adultos (EJA). Os trabalhos funcionam como materializações de memórias escolares, contrapondo a rigidez das palavras de ordem à inventividade dos estudantes.

Para o artista, a convivência com as perguntas das crianças abre brechas na cristalização dos sentidos, permitindo nomear coisas conhecidas sob novas perspectivas ou testar outros modos de escrita que desviam da função puramente normativa.

Articulação curatorial e percurso expositivo

A curadoria da mostra é assinada pela professora, artista e pesquisadora Priscila Costa Oliveira. O projeto expográfico ficou a cargo de Igor de March e João Vitor Pilati, representantes da Arquitetos de Meio Período (AMP). A proposta reúne pela primeira vez obras concebidas em diferentes momentos para criar um panorama condensado da produção recente de Bruschi.

O artista é natural de Palma Sola/SC e reside em Florianópolis, onde concluiu o mestrado em artes visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). Sua trajetória articula experiências no ensino regular, na educação de jovens e adultos e no sistema prisional, utilizando metodologias pedagógicas e processos artísticos de forma cruzada.

A abertura oficial ocorre na quinta-feira, 27 de agosto, às 19h. A visitação pública segue até 13 de outubro com entrada gratuita.

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