“América Invertida” deixou o Museu Torres García e está no CCBB Brasília até 21 de junho — entrada gratuita em exposição que celebra 150 anos do artista uruguaio.
Há obras que raramente circulam. “América Invertida”, do uruguaio Joaquín Torres García, é uma delas. O mapa da América do Sul de cabeça para baixo — manifesto visual e político do Construtivismo Universal — saiu do Museu Torres García, em Montevidéu, para integrar a exposição “Joaquín Torres García – 150 anos”, aberta ao público desde 31 de março no Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB Brasília). A mostra fica em cartaz até 21 de junho, com entrada gratuita.
Mais do que uma retrospectiva, a exposição propõe um encontro entre tempos. Ao reunir obras de Torres García com produções de artistas contemporâneos, o projeto evidencia como o pensamento do artista uruguaio segue reverberando na arte latino-americana — e além dela.
Uma abertura à altura do evento
O evento de abertura, realizado na terça-feira, 31 de março, reuniu 208 convidados e foi marcado pela performance “Fricções”, criada pela marionetista Juliana Notari, com participação do dançarino Ivo Grieco e do músico Heri Brandino. A proposta dialogava diretamente com os princípios do Construtivismo Universal, criando uma camada sensorial à entrada do público na mostra.
Estiveram presentes os embaixadores da União Europeia, Marian Schuegraf; da Espanha, María del Mar Fernández-Palacios Carmona; do Equador, Carlos Alberto Velástegui Calero; da Argentina, Guillermo Daniel Raimondi; de El Salvador, Luis Alberto Aparicio Bermúdez; e do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa. O secretário de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura do Itamaraty, Laudemar Gonçalves de Aguiar Neto, também marcou presença, reforçando a dimensão diplomática e internacional da mostra.
Entre os convidados, o poeta Luiz Carlos Vinholes, referência da poesia de vanguarda brasileira, cuja obra “Five Geometric Forms” integra a exposição em sintonia com as investigações formais de Torres García.
O pensamento que não envelhece
Para a museóloga e historiadora da arte Cynthia Taboada, diretora do CY Museum e responsável pela organização da mostra no Brasil, o objetivo central é demonstrar que Torres García não é apenas história.
Buscamos revelar a atualidade de sua produção plástica e teórica, em diálogo com artistas contemporâneos. Apresentamos também ‘América Invertida’, obra que raramente deixa o Museu Torres García.
A mostra reúne peças de instituições de peso: Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, Instituto de Arte Moderna de Valência e o MASP, de São Paulo. A curadoria é assinada por Saulo di Tarso, idealizador do projeto e pesquisador reconhecido por articular exposições que conectam tradição e inovação na arte latino-americana. Ele também foi responsável pela museografia da premiada exposição “Marc Chagall: sonho de amor” (Prêmio APCA 2023).
Arte como projeto coletivo
Alejandro Díaz, diretor do Museu Joaquín Torres García, destaca que a obra do artista sempre teve uma vocação expansiva.
Torres García nos representa em muitos aspectos. Sua produção não se restringe ao indivíduo, mas se projeta para a comunidade, com um caráter expansivo que dialoga com diferentes públicos.
Para Saulo di Tarso, a exposição carrega um significado que vai além do centenário. “Essa mostra também ressalta a importância da criação de um Museu de Arte Moderna do Mercosul, com missão interoceânica, baseando-se na potência de Torres García. É uma alegria imensa, talvez a primeira vez na minha carreira em que celebro algo com essa amplitude”, afirma. O curador relaciona o projeto a valores que atravessam sua trajetória, como ancestralidade e afeto: “Apresentar esse percurso no CCBB é um marco e reafirma a potência transformadora da arte.”
Brasília como palco necessário
Camila Val, gerente-geral (E.E.) do CCBB Brasília, aponta a singularidade do diálogo entre a mostra e o acervo local. “Ao dialogar com o acervo do CCBB de forma singular em Brasília e propor um olhar para o presente, a exposição convida o público a conhecer essa vertente e a valorizar nossos artistas a partir da obra de Torres García”, diz.
Selecionada no Edital CCBB 2023–2025 e viabilizada pela Lei Rouanet, a exposição é patrocinada pela BB Asset, maior gestora de fundos do país, com cerca de R$ 1,87 trilhão em patrimônio líquido sob gestão. O CCBB Brasília fica no Edifício Tancredo Neves, projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer, no Setor de Clubes Sul.
Serviço
- Exposição: Joaquín Torres García – 150 anos
- Local: CCBB Brasília – SCES Trecho 02, Lote 22, Edifício Tancredo Neves, Setor de Clubes Sul – Galeria 5 e Pavilhão de Vidro
- Período: 31 de março a 21 de junho de 2026
- Horário: Terça a domingo, das 9h às 21h (entrada até 20h40)
- Classificação: Livre
- Ingressos: www.bb.com.br/cultura e na bilheteria do CCBB Brasília
- Transporte gratuito: Van de quinta a domingo, saindo da Biblioteca Nacional (13h às 20h); retorno a partir das 13h30
- Entrada gratuita




