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A ópera que se recusa a ser estável volta ao Municipal

Sucesso em 2022, “O Amor das Três Laranjas” retorna ao Theatro Municipal de SP com humor, magia e Prokofiev — de 27 de fevereiro a 7 de março.

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Quatro anos depois de conquistar o público paulistano, a ópera O Amor das Três Laranjas (L’Amour des Trois Oranges), de Sergei Prokofiev, volta à Sala de Espetáculos do Theatro Municipal de São Paulo. A remontagem estreia na sexta-feira, 27 de fevereiro, às 20h, e fica em cartaz até 7 de março de 2026.

Menos refazer, mais reativar

A concepção cênica é assinada pelo ator e encenador Luiz Carlos Vasconcelos, nome de longa trajetória entre telas e palcos brasileiros. A direção cênica fica a cargo de Ronaldo Zero, e a direção musical é de Roberto Minczuk à frente da Orquestra Sinfônica Municipal e do Coro Lírico Municipal.

Para Ronaldo Zero, o desafio de 2026 é diferente do de 2022. “Um dos eixos centrais da obra é a chamada ‘guerra de linguagens’: a disputa entre Trágicos, Cômicos, Alienados e Românticos pelo controle da narrativa. O grande desafio em 2026 é manter a montagem viva, fresca e pulsante em um mundo onde tudo se torna obsoleto muito rapidamente”, explica. “Ao mesmo tempo, há o prazer de retornar a uma montagem que conheço profundamente, que ajudei a construir e que continua oferecendo novas camadas de leitura. O Amor das Três Laranjas segue atual justamente porque se recusa a ser estável.”

Uma trama com séculos de história

A ópera carrega uma origem extraordinariamente complexa. O enredo parte de um conto do século XVII escrito pelo italiano Giambattista Basile, depois adaptado para o teatro por Carlo Gozzi um século mais tarde. Prokofiev musicou a história e, junto à soprano brasileira Vera Janacópulos — figura central na divulgação de compositores como Villa-Lobos na Europa —, traduziu o libreto para o russo e o francês.

A trama é ao mesmo tempo fábula, paródia e ironia fina: um Rei busca desesperadamente curar a melancolia do filho convocando personagens da Commedia dell’Arte, magos e bruxas. O resultado é uma celebração do poder do humor na arte.

A orquestra como protagonista

O maestro Roberto Minczuk destaca que, em Prokofiev, a orquestra não acompanha — ela narra. “A escrita de Prokofiev, considerado um gênio da criatividade e da instrumentação, é sempre a de uma composição que narra a história em seus mínimos detalhes. O Amor das Três Laranjas é tão sinfônica que a parte mais memorável, a que mais se conhece, não é nenhuma grande ária ou grande coro, como costuma acontecer, e sim a famosa marcha sinfônica, o tema mais conhecido de toda ópera, que é puramente sinfônico e instrumental.”

Por que remontar importa

A diretora geral do Complexo Theatro Municipal, Andrea Caruso Saturnino, defende a política de remontagens. “É muito importante que uma casa de ópera como o Theatro Municipal de São Paulo seja capaz de remontar os sucessos de temporadas anteriores. Além de aproveitarmos grande parte do que já integra o nosso acervo, as remontagens conferem sobrevida às concepções artísticas e permitem que as obras tenham uma segunda oportunidade de encontro com o público.”

Serviço

O Amor das Três Laranjas

Local: Sala de Espetáculos — Theatro Municipal de São Paulo

Datas e horários:

27 fev (sexta-feira), 20h

28 fev (sábado), 17h

01 mar (domingo), 17h

03 mar (terça-feira), 20h

04 mar (quarta-feira), 20h

06 mar (sexta-feira), 20h

07 mar (sábado), 17h

Ingressos: R$ 47 a R$ 290 (inteira)

Duração: Aproximadamente 2h15 (com intervalo)

Classificação: Não recomendado para menores de 12 anos (pode conter histórias de agressão física, insinuação de consumo de drogas e insinuação leve de sexo)

Foto: Rafael Salvador/Divulgação

A ópera que se recusa a ser estável volta ao Municipal
Foto: Divulgação
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