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A OSB celebra o Dia das Mães com sopros e Villa-Lobos

A OSB celebra o Dia das Mães com sopros e Villa-Lobos

No dia 10 de maio, a Orquestra Sinfônica Brasileira abre a série Orquestra Encena com um concerto de câmara dedicado aos sopros, no Teatro de Câmara da Cidade das Artes.

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O Dia das Mães ganha uma celebração à altura na Barra da Tijuca. A Orquestra Sinfônica Brasileira sobe ao palco do Teatro de Câmara da Cidade das Artes no domingo, 10 de maio, às 11 horas, para inaugurar a série Orquestra Encena com um programa que coloca os instrumentistas de sopro da orquestra em evidência. A regência é do maestro André Cardoso.

Villa-Lobos abre o programa

O concerto começa com o Quinteto em forma de Choros, composto por Heitor Villa-Lobos em 1928. A obra carrega o DNA da grande série dos Choros — aquela capacidade singular de reunir melodias urbanas, ritmos ameríndios e sonoridades que evocam tanto a floresta quanto a vida nas cidades. No Quinteto, essa multiplicidade se concentra: a música oscila entre passagens líricas e irrupções bruscas, escrita angulosa e arrebatamento quase caótico. A instrumentação — flauta, oboé, corne inglês, clarineta e fagote — foge da formação tradicional do quinteto de sopros e impõe aos músicos um virtuosismo de alta exigência, com passagens solistas de caráter improvisatório que demandam liberdade rítmica e domínio absoluto.

Cicchelli dialoga com o Villa-Lobos mais recolhido

Nem todo Villa-Lobos é exuberante. Os Corais da Bendita Sabedoria, de 1958, escritos a partir de textos de São João da Cruz, revelam um compositor quase ascético, que usa a polifonia com contenção e introspecção. É exatamente essa face menos conhecida que serve de matéria-prima para Rodrigo Cicchelli — compositor que em 2026 completa 60 anos e se consolida como uma das vozes mais coerentes da música brasileira contemporânea.

Suas Variações sobre “A Bendita Sabedoria”, para quinteto de metais, não citam nem ornam Villa-Lobos: extraem dos corais motivos, sequências harmônicas e texturas que se tornam matéria de uma obra inteiramente nova, organizada em cinco seções contínuas. Não é coincidência que as Variações durem aproximadamente o mesmo tempo que o ciclo villalobiano — um reflexo que ocupa o mesmo espaço sem devolver a mesma imagem.

Holst e Dvořák completam a manhã

Depois do intervalo, a OSB apresenta a Suite nº 1 em Mi bemol maior, de Gustav Holst — uma das composições mais importantes já escritas para banda sinfônica no século XX. A obra nasceu de uma busca pessoal do compositor por se libertar do romantismo tardio e do wagnerianismo de sua formação. Para romper com o passado recente, Holst curiosamente olhou para um passado mais distante: o Barroco. O resultado é uma suite em três movimentos — Chaconne, Intermezzo e Marcha — de clareza formal e elegância incomuns.

O encerramento fica por conta da Serenata Op. 44, de Antonín Dvořák, composta em 1878. A obra carrega uma tensão fascinante: o gênero serenata pressupõe leveza e despojamento, mas Dvořák escolhe a tonalidade de ré menor — terreno associado a obras trágicas na tradição ocidental. Essa contradição não enfraquece a música; pelo contrário, é o que a torna inesquecível.


Serviço

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Foto: Divulgação
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