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A peça que expõe o que o amor não consegue dizer

A peça que expõe o que o amor não consegue dizer

Impossível separar-se, impossível permanecer juntos: A Linha Solar encerra temporada no CCBB SP e vai a cartaz gratuitamente em Cidade Tiradentes.

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Às cinco da manhã, numa cozinha, Barbara e Werner estão exaustos um do outro — e ainda assim não conseguem ir embora. É nesse impasse que Ivan Viripaev constrói A Linha Solar, espetáculo que encerra sua primeira temporada no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo no dia 17 de maio de 2026. Depois disso, a peça segue para o Instituto Pombas Urbanas, em Cidade Tiradentes, com três sessões gratuitas nos dias 19, 20 e 21 de maio, sempre às 19h30.

A montagem marca a estreia absoluta do texto no Brasil. Com direção de Marcelo Lazzaratto e atuação de Carol Gonzalez e Chico Carvalho, a peça traduz, em 70 minutos, o que há de mais difícil nas relações humanas: a comunicação. Ou melhor, a falta dela.

Entre o humor e a crueldade

O texto de Viripaev — autor russo publicado em 2018 — não é uma tragédia convencional. Começa com a aparência de um drama realista e vai, aos poucos, escorregando para o território do absurdo e do surrealismo. É essa tensão que dá vida à peça: o riso incômodo de quem reconhece, no palco, situações muito próximas da própria vida.

No primeiro momento, o espetáculo parece apostar em uma estética e em uma linguagem realista. No entanto, quanto mais a peça progride, percebemos que Viripaev flerta com o teatro do absurdo e o surrealismo.

Carol Gonzalez, atriz e idealizadora do espetáculo

Gonzalez, que também idealizou a produção, define o espetáculo como “quase uma sessão de terapia sobre o tema ser feliz com sua mulher, seu marido, seu parceiro e com o mundo”. Para o diretor Lazzaratto, Viripaev faz um mergulho genuíno na complexidade humana e consegue transformar em palavras situações que qualquer casal, em algum momento, já viveu.

A peça não busca respostas fáceis. Barbara e Werner se agarram à necessidade de se explicar — até o fim — mesmo quando as palavras já não bastam. É nessa persistência, ao mesmo tempo patética e comovente, que reside o coração do espetáculo.

Primeira vez no Brasil, com acesso ampliado

A escolha de levar A Linha Solar ao Instituto Pombas Urbanas não é casual. A instituição, referência em arte e periferia na zona leste de São Paulo, representa exatamente o tipo de público para quem o teatro muitas vezes não chega. As sessões gratuitas — com capacidade para 140 pessoas — ampliam o alcance de uma produção que, no CCBB, já acumulou 21 apresentações ao longo da temporada.

O projeto conta com interpretação em Libras, a cargo de Sabrina Caíres e Karina Nonato, e transcrição em Braille pela Escreve Brasil. No CCBB, a sessão com intérpretes acontece no dia 10 de maio, às 18h.

Para quem quiser aprofundar o olhar sobre o processo criativo, há ainda uma oficina de produção teatral nos dias 13 e 14 de maio, no auditório do CCBB SP.

Um espetáculo que chegou pela necessidade de dizer algo

A produção é realizada por Sangiorgi e Gonzalez Produções e foi contemplada no edital Fomento CULTsp — PNAB nº 22/2024, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústrias Criativas do Governo do Estado de São Paulo. A tradução do texto original é assinada por Elena Vássina e Aimar Labaki.

Cenografia, figurino e direção de arte são de Simone Mina. A trilha sonora original e a sonoplastia ficaram com Eddu Ferreira. A identidade visual é da Comunica.Ações, com Kleber Góes.


Serviço

A peça que expõe o que o amor não consegue dizer
Foto: João Maria
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