Fumaça colorida, neve e câmeras tomam 300 metros da Rua Primeiro de Março nos dias 9 e 10 de maio — e o público é parte do espetáculo.
Uma rua do Centro do Rio vai virar um set de cinema a céu aberto. A intervenção artística urbana Efeitos Especiais chega ao Rio de Janeiro pela primeira vez nos dias 9 e 10 de maio de 2026, ocupando 300 metros da Rua Primeiro de Março, entre a Praça XV e o CCBB Rio. A entrada é gratuita, o horário é às 17h e a promessa é de uma experiência que desafia qualquer fronteira entre palco e plateia.
A criação é dos argentinos Luciana Acuña, do Grupo Krapp, e Alejo Moguillansky, do El Pampero Cine — dois nomes de peso na cena performática contemporânea da América do Sul. O espetáculo já percorreu Sydney, Valencia, Cádiz, Santiago, Buenos Aires e Salvador antes de aportar na capital fluminense, sempre deixando rastros de reações intensas do público.
Cinema, dança e teatro numa só tomada
O formato é incomum e deliberadamente desconcertante. A performance simula a filmagem de um plano-sequência ao vivo: um performer local — são três artistas cariocas no total, escolhidos dias antes da estreia — vive uma espécie de sobrevivente em fuga pelos 300 metros da rua. No trajeto, enfrenta bombas de fumaça colorida, ventania, chuva e neve artificiais, ao som de tiros, sirenes e uma trilha musical executada ao vivo por um DJ.
Tudo é filmado em tempo real por uma equipe que também conta com profissionais locais. A performance dura 6 minutos e é repetida três vezes — cada rodada com um artista diferente. Ao final de cada sessão, a performance anterior é exibida em um telão para quem está na rua. O público não assiste de longe: é instigado a participar, a reagir, a se mover junto com a cena.
A proposta é de uma experiência imersiva e sensorial, que elimina a fronteira entre a plateia e a cena. E em todas as cidades por onde o espetáculo passou, impressiona como o público rapidamente se engaja na proposta e participa intensamente e experimenta uma dinâmica coletiva muito próxima das festas de rua como o Carnaval.
A análise é de Felipe de Assis, produtor da 7oito Projetos e Produções, responsável pela vinda do espetáculo a Salvador e agora ao Rio. Para ele, Efeitos Especiais “é um espetáculo para todas as idades, que celebra a vida cotidiana e os desafios que enfrentamos — sempre com leveza, criatividade e muita arte”.
Uma tradição argentina que chegou ao mundo
Efeitos Especiais carrega no DNA a herança de uma cena argentina que dominou a arte performática das últimas décadas. Coletivos como La Organización Negra, Fuerza Bruta e De La Guarda pavimentaram um caminho de espetáculos que apostam na fisicalidade extrema, no impacto visual e na ruptura com o espaço convencional de apresentação. A criação de Acuña e Moguillansky parte desse legado e constrói uma linguagem própria — fundada na convergência das artes e na ocupação da cidade como palco.
O resultado, segundo quem já viu em outras cidades, é uma experiência coletiva de alta intensidade que transforma a rua — e os passantes — em algo maior. No Rio, o cenário não poderia ser mais simbólico: o trecho entre a Praça XV e a Pira Olímpica, no Centro histórico, é um dos mais carregados de memória urbana da cidade.
O espetáculo tem realização do Governo do Brasil e do Centro Cultural Banco do Brasil, patrocínio do Banco do Brasil e produção executiva de Gabriela Gobbi.
Serviço
- Datas: 9 e 10 de maio de 2026
- Horário: sábado e domingo, às 17h
- Duração: 60 minutos
- Ingresso: gratuito
- Percurso: início na Praça XV, seguindo até a Pira Olímpica, em frente ao CCBB Rio
- Endereço: Rua Primeiro de Março, 1 a 66 — Centro, Rio de Janeiro/RJ
- Classificação indicativa: livre
- Centro Cultural Banco do Brasil — funcionamento: quarta a segunda, das 9h às 20h (fecha às terças)
- Contato: (21) 3808-2300 | ccbbrio@bb.com.br
- Mais informações: bb.com.br/cultura


