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Acrobacia coletiva desafia etarismo e padrões de gênero em Perus

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Pirâmides humanas e acrobacias coletivas transformam o picadeiro em espaço de questionamento sobre envelhecimento, corpos dissidentes e autonomia feminina.

O equilíbrio sobre os ombros alheios ganha contornos de manifesto social quando a sustentação depende, obrigatoriamente, da escuta e da confiança mútua. No espetáculo CORP+S, concebido pela Troupe Guezá, saltos, voos e composições de solo deixam de ser apenas exibição de virtuosismo físico para estruturar uma reflexão direta sobre vulnerabilidades e potências de corpos reais.

CORP+S entende o corpo como território de potência, mas também de memória, vulnerabilidade e transformação. Quando colocamos corpos de diferentes idades e identidades juntos em uma mesma pirâmide, estamos também colocando em questão os lugares que a sociedade determina para cada pessoa

Acrobacia coletiva desafia etarismo e padrões de gênero em Perus
Foto: Divulgação

A força que desvia de normas históricas

A montagem reúne artistas de diferentes gerações e identidades de gênero dissidentes, confrontando a ideia de que determinados corpos teriam restrições etárias ou estéticas para a prática circense. A presença feminina conduz o eixo central da pesquisa, desmontando limites convencionais historicamente atribuídos às mulheres quanto a peso, força, envelhecimento e capacidade de sustentação.

Ao incorporar vivências LGBTQIAPN+, a dramaturgia corporal propõe que a interdependência acrobática funcione como metáfora de convivência coletiva. O próprio título da obra sintetiza essa premissa: a neutralização da palavra somada ao símbolo gráfico sinaliza a multiplicidade de trajetórias que se erguem juntas no espaço cênico.

Acrobacia coletiva desafia etarismo e padrões de gênero em Perus
Foto: Divulgação

Celebração e trajetória no circuito independente

Criado em 2025, o trabalho celebra o marco de 25 anos de atuação continuada do grupo fundado por Rubia Neiva, responsável pela direção acrobática ao lado do diretor artístico Gabriel Madrigano. A apresentação aberta integra a circulação viabilizada pelo ProAC 31/2025 – Apoio a Espetáculos ou Números de Circo, integrando a programação festiva de 21 anos da Comunidade Cultural Quilombaque, no bairro de Perus.

No dia 27 de setembro de 2026, a intervenção ocupa o espaço com proposta de acessibilidade e classificação livre, aproximando a pesquisa acrobática contemporânea do cotidiano comunitário.


Acrobacia coletiva desafia etarismo e padrões de gênero em Perus
Foto: Divulgação

Serviço


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