Na Casa das Onze Janelas, Amazônia Imersiva transforma obras de Ailton Krenak, Coletivo Mahku, Elza Lima e Ge Viana em uma experiência audiovisual 360° que junta arte, som e tecnologia.
Até o dia 6 de maio, Belém sedia o projeto Amazônia Imersiva, uma experiência audiovisual 360° em grande formato dedicada à arte contemporânea amazônida, no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas. A entrada é gratuita, mediante breve cadastro na portaria, e a iniciativa é criação das artistas paraenses Aíla e Roberta Carvalho, que unem arte visual, música e tecnologia para ampliar as narrativas sobre a Amazônia.
Arte amazônica em 360°
A exposição propõe um olhar contemporâneo sobre a Amazônia, reunindo artistas de diferentes estados, territórios e países, em um percurso sensorial que parte da pintura, gravura, fotografia e vídeo e se expande em projeções 360°. Na sala imersiva, obras de Ailton Krenak, Coletivo Mahku, Elza Lima, Ge Viana, Glicéria Tupinambá, Hal Wildson, Jaider Esbell, Keila Sankofa, Olinda Silvano, Paulo Desana, Roberta Carvalho, Ronaldo Guedes, VJ Suave e PV Dias ganham nova dimensão em uma instalação audiovisual inédita.
A trilha sonora é conduzida pela cantora e pesquisadora musical Aíla, co‑diretora artística do projeto, e composta por Nelson D, artista indígena do Amazonas conhecido por sua pluralidade sonora. A mixagem “som de cinema” distribui o áudio pelo espaço de forma envolvente, ampliando ainda mais a imersão do público na experiência.
Shows e encontros de música com imagem
Nessa mesma sala acontecem apresentações de música e imagem, em que artistas sonoros se encontram com visuais. Entre os destaques, o show As Amazônias 360°, de Aíla, Djuena Tikuna e Patrícia Bastos, com visuais de Roberta Carvalho e Priscila Tapajowara, e performances do grupo peruano Dengue Dengue Dengue, que assina os próprios visuais. Também integra a programação o projeto UAPI Amazônia Percussiva, com visuais de PV Dias e Nay Jinknss.
“São muitos artistas envolvidos, desde a trilha sonora da experiência, que vai imergir em ritmos amazônicos, do marabaixo a música indígena, até a música eletrônica experimental e das radiolas de reggae do Maranhão. Teremos também apresentações ao vivo, de música e imagem, que reforçam o caráter híbrido e múltiplo do projeto”, adianta Aíla.
Sala Manifesta e tecnologias ancestrais
O segundo ambiente, a Sala Manifesta, convida o público a mergulhar em conceitos, pensamentos e frases de pensadores e artistas da Amazônia, além de apresentar biografias e contextos das obras. Uma das instalações centrais é Ouriços Falantes, em que caixas de som são incorporadas a ouriços de castanha, trazendo vozes e depoimentos de artistas e intelectuais sobre o que significa imergir na Amazônia.
No mesmo espaço, estão disponíveis óculos de realidade virtual com obras do acervo do Amazônia Mapping, festival pioneiro de arte e tecnologia criado em Belém. A terceira sala, por sua vez, amplia o conceito de tecnologia para além do high‑tech, revelando saberes ancestrais em cultivo, alimentação, medicina da floresta e organização social como formas de tecnologia de cuidado, equilíbrio e invenção.
Arquitetura e parcerias internacionais
O projeto arquitetônico da ocupação é assinado pela dupla Luís Guedes e Pablo do Vale, da Guá Arquitetura, que estruturou os três ambientes para intensificar o fluxo sensorial e a imersão. Em parceria com o British Council e o Instituto Guimarães Rosa, dentro das ações do Ano Cultural Brasil‑Reino Unido 2025‑2026, dois artistas escoceses, Konx.om.Pax e Sonia Killmann, representados pela organização Cryptic, construíram uma obra em residência com artistas amazônidas, como Renata Chebel e Nelson D., resultando em um espetáculo inédito de música e imagem.
Amazônia Imersiva ainda conta com programação quinzenal de atividades gratuitas, incluindo shows e experiências ao vivo, com agenda divulgada no perfil oficial do projeto no Instagram (instagram.com/amazonia_imersiva). A iniciativa é apresentada pelo Ministério da Cultura, via Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio do Nubank, em parceria com British Council e apoio da Secretaria de Cultura do Estado do Pará.
Serviço
- Nome do evento: Amazônia Imersiva – Experiência audiovisual 360° de arte contemporânea amazônida
- Data: 10 de março a 06 de maio de 2026
- Horários – sessões: terças, quintas e domingo, das 09h às 17h
- Horários – sessões: sextas‑feiras e sábados, das 09h às 20h
- Local: Casa das Onze Janelas – Rua Siqueira Mendes, Cidade Velha, Belém – PA
- Ingresso: entrada gratuita, mediante cadastro na portaria

