A memória da deportação de Olga Benario à Alemanha nazista ganha contornos urgentes na Zona Portuária do Rio, território de onde ela partiu há 90 anos, agora palco para uma aula com sua filha, Anita Prestes, que coroa os últimos dias do espetáculo documental sobre a militante.
A sobrevivência de Anita Leocádia Prestes é um testemunho vivo das fraturas da história brasileira. Nascida em uma prisão na Alemanha poucos meses após o governo brasileiro deportar sua mãe, a militante comunista Olga Benario Prestes, ela retorna à região portuária fluminense para um encontro com o público. A aula aberta e gratuita acontece no domingo, 27 de setembro, às 17h, no Teatro Vianinha, marcando a despedida da montagem teatral da Companhia Ensaio Aberto.
Sou filha da solidariedade internacional.

O peso do território na encenação documental
O local escolhido para a temporada, o Armazém da Utopia, carrega o peso histórico do enredo. Foi dali, a bordo do navio La Coruña, que Olga, então grávida de oito meses, deixou o Brasil sob escolta rumo ao regime fascista em 23 de setembro de 1936. A encenação comandada pelo diretor Luiz Fernando Lobo e protagonizada por Tuca Moraes utiliza esse espaço para amplificar as tensões do passado e confrontar a plateia com as consequências geográficas da extradição.
A dramaturgia mergulha na estética elaborada por Erwin Piscator e desenvolvida por Peter Weiss. Documentos oficiais, arquivos da época e relatos testemunhais são dissecados em cena para investigar a perseguição à agente internacional, que veio ao país proteger Luiz Carlos Prestes e acabou salvando a vida do companheiro durante a invasão policial no bairro do Méier, colocando-se à frente das autoridades.

Arquivos abertos para interrogar o passado
A trajetória desde a juventude, passando por sua atuação clandestina para libertar Otto Braun até o fim trágico em uma câmara de gás no campo de extermínio de Bernburg, em 1942, serve como eixo para a produção carioca. Seguindo o preceito de que registros passivos não geram reflexão, a peça se apropria do pensamento do historiador Marc Bloch, entendendo que os arquivos só revelam sua essência quando são ativamente interrogados no palco.
Com equipe que reúne Felipe Radicetti na direção musical e J.C. Serroni na cenografia, a temporada reafirma a vocação crítica e política do grupo fundado em 1992. O ciclo de apresentações se encerra na segunda-feira, 28 de setembro, com a premissa fundamental evocada pelo filósofo Walter Benjamin de rememorar as derrotas do passado para compreender as estruturas do presente.
Serviço
- Temporada do espetáculo: até 28 de setembro de 2026
- Aula aberta com Anita Prestes: 27 de setembro de 2026, às 17h
- Local: Teatro Vianinha, Armazém da Utopia – Armazém 6, Boulevard Olímpico, Região Portuária, Rio de Janeiro
- Horários: sextas às segundas-feiras, às 20h
- Lotação: 120 lugares
- Ingressos: Inteira R$60 | Meia R$30
- Vendas: https://www.sympla.com/armazemdautopia
- Agendamento de grupos: WhatsApp (21) 97976-0046
- Classificação indicativa: 14 anos
- Duração: 70 minutos
