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Apareceu a Margarida põe público em teste de poder no CCPJ

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Transformada em uma sala de aula onde as fronteiras entre disciplina e coerção se confundem, a plateia do Centro Cultural do Poder Judiciário vivencia os dilemas de autoritarismo e controle levantados pelo clássico teatral Apareceu a Margarida.

Conduzida pela figura rígida da professora Dona Margarida, interpretada pela atriz e diretora Márcia Bello, a montagem faz o espectador assumir a postura de estudantes do ensino fundamental. Por meio do humor e da sátira política, o espetáculo desconstrói a imposição de regras institucionais e questiona os métodos de conformidade aos quais os indivíduos são condicionados desde a infância.

É uma peça extremamente potente do ponto de vista político, que aborda aspectos da opressão e da liberdade de expressão.

A produção integra o programa Justiça em Cena e marca o aniversário de 55 anos da obra em 2026. Traduzido em mais de 30 países e somando mais de 250 produções internacionais, o texto do dramaturgo Roberto Athayde ganha um diferencial inédito nesta temporada: o próprio criador assumiu a direção dos ensaios e da encenação, orientando a protagonista em cena.

Apareceu a Margarida põe público em teste de poder no CCPJ
Foto: Divulgação

O peso da direção do próprio autor

Trabalhar sob o olhar direto do dramaturgo representou um desafio específico para a intérprete. Márcia Bello se tornou a primeira atriz brasileira a receber a condução cênica do autor de Apareceu a Margarida, processo que exigiu rigor para revisitar as camadas de sarcasmo e tensão psicológica embutidas em cada fala do texto.

A estrutura montada na sala multiuso do Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro também reuniu no elenco o chefe do Serviço Educativo do espaço, W. B. Lemos, que participou interpretando um dos estudantes da classe. Para a desembargadora Cristina Tereza Gaulia, responsável pelo espaço cultural, a união de servidores e artistas reforça a abertura do Judiciário aos debates urgentes da sociedade.

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